Inicia-se umanova ordem de coisas - TGI Consultoria

Inicia-se umanova ordem de coisas

 
Impossível identificar, em meio à infinidade de depoimentos sobre o inacreditável ocorrido, o autor da frase ouvida na CBN, horas depois dos atentados terroristas mais espetaculares da história:

“O século 21 começou, de fato, hoje.â€?

Entrevistado da CBN, 11.09.2001

Essa opinião, emitida sob o impacto dos acontecimentos, viria, nos dias que se seguiram à tragédia, consolidar-se como uma espécie de síntese das percepções mais acuradas, como a que exprime o historiador e professor da universidades de Stanford e Oxford, Timoty Garton Ash:

“Se a queda do muro de Berlim representou o verdadeiro final do breve século 20, temos bons argumentos para dizer que a demolição do World Trade Center é o verdadeiro início do século 21.â€?

Timoty Garton Ash, Folha de S. Paulo, 16.09.2001

Um tempo diferente onde é possível a um grupo de não mais que vinte fanáticos suicidas, munidos tão somente de canivetes e facas plásticas mas altamente planejados e eficazmente organizados, derrubar os dois maiores edifícios de Nova York e destruir parte do prédio mais protegido do mundo. Um feito que torna proféticas as palavras do grande historiador inglês Arnold Toynbee.

“A humanidade superou finalmente a idade da tecnologia e entrou na era organizacional. Tudo agora é uma questão de organização. Quem sabe se organizar vence a mais apurada tecnologia.â€?

Arnold Toynbee, 1889-1975

Uma organização perfeita, ainda que voltada para o crime mais hediondo que é o terror, sob todos os aspectos injustificável, como bem destaca o deputado José Genoíno:

“Nenhum fim, político ou religioso, e nenhum meio podem estar acima da vida de um ser humano.â€?

José Genoíno, Estado de S. Paulo, 15.09.2001

A questão principal a ser enfrentada, para além do compreensível mas não endossável desejo de vingança do povo norte-americano é a seguinte: não existe um inimigo a ser atacado mas múltiplos grupos organizados ao redor do planeta. Eleger um culpado e retaliá-lo não vai resolver. Pelo contrário, certamente agravará o problema porque outros se sentirão mais estimulados ainda a revidar.
Todos agora esperam o que farão os EUA, eles mesmos atônitos conforme asseveram as fotografias do presidente Bush. É essa reação que desencadeará o novo estado de coisas, para o bem ou para o mal. Há uma esperança, ainda que remota, que o episódio ajude a fazer os EUA descerem de sua arrogância para com o mundo e começarem a entender que o diálogo é mais eficaz que a força bruta. Que George W. Bush possa entender o que disse seu conterrâneo George Marshall.

“O único meio de ganhar uma guerra é evitá-la.â€?

George Marshall, 1880-1958, militar dos EUA

Resta-nos torcer para que apesar do grande clamor por vingança (93% dos norte-americanos acham que os EUA devem tomar medidas militares em reação aos ataques e 86% permanecem achando que sim, mesmo que isso significasse entrar numa guerra), o bom senso possa prevalecer e a História tenha colocado uma chance ímpar para o presidente dos EUA e que ele esteja à altura do momento porque,

“Não há nada mais difícil do que controlar, mais perigoso do que conduzir, ou mais incerto no seu sucesso do que liderar a introdução de uma nova ordem.â€?

Nicolau Maquiavel