O Presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito porque derrubou a inflação e só serÔ reeleito se ela permanecer baixa. Se for com crescimento, melhor ainda.
   Essa constatação é importante para subsidiar as empresas nas decisões quanto ao futuro.
Ā Ā Ā A estratĆ©gia montada por FHC e a equipe econĆ“mica para derrubar a inflação, mantĆŖ-la baixa, eleger-se e, quem sabe, se tudo desse certo, reeleger-se, foi lanƧar uma Ć¢ncora cambial que segurasse a economia com inflação baixa atĆ© a realização das chamadas reformas estruturais. Essa estratĆ©gia foi um sucesso absoluto atĆ© a crise cambial do MĆ©xico. A partir daĆ, foi lanƧada a Ć¢ncora monetĆ”ria, baseada no aumento brutal da taxa de juros e na contenção da demanda, com forte aperto de crĆ©dito.
Ā Ā Ā Hoje, o governo estĆ” amarrado a uma polĆtica econĆ“mica que provoca, só com pagamento de juros, o aumento da dĆvida interna em valor equivalente, a cada quatro meses, a uma Vale do Rio Doce. Com isso, a dĆvida interna equiparou-se, em setembro, Ć externa (ambas na casa dos US$ 100 bilhƵes).
Ā Ā Ā O mais grave Ć© que estĆ” emperrado o encaminhamento das reformas estruturais que permitiram o lanƧamento da Ć¢ncora fiscal, terceira e definitiva (baseada no equilĆbrio estrutural do orƧamento). A reforma tributĆ”ria, a reforma administrativa, a reforma da previdĆŖncia e a privatização estĆ£o andando a passos de tartaruga.
Ā Ā Ā Diante deste quadro, nĆ£o Ć© possĆvel ter clareza ainda sobre quais serĆ£o os próximos lances no caminho da estabilização. Uma coisa parece certa, todavia: enquanto nĆ£o desatar o nó das reformas emperradas, o governo nĆ£o terĆ” outros recursos para lanƧar mĆ£o que nĆ£o a Ć¢ncora monetĆ”ria, ainda que mitigada com juros menos “escorchantes” e crĆ©dito menos sufocado.
   A esse respeito, vale a pena atentar para a previsão feita por Eugênio Staub, presidente da Gradiente, ainda em julho/95.
   Para as empresas, mais do que nunca, é preciso atenção redobrada na manutenção do mercado e no funcionamento interno enxuto (severo controle de custos e do endividamento, sobretudo o de curto prazo). Talvez as condições macroeconÓmicas não mudem tão cedo, de forma substancial.