Pico do consumo sinaliza paranovas tendĂȘncias a serem observadas

 
 
 
 No rastro do maior crescimento econĂŽmico anualizado dos Ășltimos 10 anos, o consumidor brasileiro voltou Ă s compras neste final do ano com uma disposição que nĂŁo se via desde o lançamento do Plano Real. O crescimento mĂ©dio Ă© de 10% em relação ao ano passado, em alguns segmentos ultrapassando os 50%.
Apesar da convivĂȘncia dos fenĂŽmenos do crescimento da economia e do consumo, a explicação da tendĂȘncia atual parece estar mais prĂłxima da psicologia do que da economia.
O presidente da CitroĂ«n do Brasil, SĂ©rgio Habib, na revista IstoÉ Dinheiro desta semana, comentando o crescimento de 12% da indĂșstria automobilĂ­stica este ano, diz que sĂł conhece cinco explicaçÔes genĂ©ricas para um crescimento do consumo: (1) aumento da renda; (2) diminuição dos preços; (3) aumento salarial acima da inflação; (4) queda do custo da prestação; e (5) crença no futuro. Como nĂŁo identifica nenhuma das quatro primeiras ocorrĂȘncias esse ano (a renda per capita nĂŁo subiu, os preços aumentaram, nĂŁo houve aumento dos salĂĄrios e os juros subiram encarecendo as prestaçÔes ), atribui o crescimento do setor Ă  crença do consumidor de que o futuro serĂĄ melhor do que o presente.
“O mercado estĂĄ em ascensĂŁo porque o brasileiro passou a acreditar que hoje estĂĄ bom e amanhĂŁ estarĂĄ melhor. A venda de carros vive de expectativas. Veja o que ocorreu em 2002, quando todo mundo ficou assustado com a eleição de Lula. O mercado despencou.”
Sérgio Habib, presidente da Citröen Brasil.
Crer, portanto, num futuro melhor Ă© mais estimulante do consumo, no caso, do que ter mais dinheiro.
A observação deste fenĂŽmeno psicolĂłgico Ă© importante para ajudar a raciocinar sobre importantes tendĂȘncias do consumo que rompem com o conhecimento tradicional sobre o assunto. SĂŁo elas: (1) o poder crescente das mulheres nas decisĂ”es de compra; (2) o peso da concorrĂȘncia cruzada; e (3) a importĂąncia do consumo como processo de eliminação de carĂȘncias.
A primeira tendĂȘncia Ă© resultado da constatação da enorme importĂąncia, antes camuflada, que tĂȘm as mulheres no ato de compra (mais de 80% das decisĂ”es sĂŁo tomadas direta ou indiretamente por elas).
“Os lĂ­deres verdadeiros sabem que sĂŁo as mulheres que tomam a maioria das decisĂ”es de consumo e, por isso, entendem muito de mercado.”
Tom Peters, consultor norte-americano.
A segunda, resulta da emergĂȘncia de necessidades novas de consumo familiar, inexistentes hĂĄ menos de 10 anos atrĂĄs.
“Se vocĂȘ somar quatro aparelhos celulares, dois pontos de TV a cabo e dois computadores em casa, pronto! JĂĄ dĂĄ um gasto de R$ 10 mil por ano. Como nĂŁo houve aumento de renda, a despesa extra tem que ser cortada de algum lugar.”
Sérgio Habib, presidente da Citröen Brasil.
A terceira, decorre de uma mudança psicolĂłgica de perspectiva que ultrapassa o atendimento Ă s necessidades em direção ao preenchimento de carĂȘncias.
“O mundo estĂĄ vivendo uma era de pĂłs-consumo. Compramos para eliminar carĂȘncias, nĂŁo para suprir necessidades. Consumir Ă© eliminar carĂȘncias. O ato de consumir elimina uma ou mais carĂȘncias que a pessoa tem. Se eu me sinto mais velho, escolho um creme, uma roupa, ou um carro, que prometa uma inversĂŁo neste estado de carĂȘncia.”
JĂșlio Ribeiro, publicitĂĄrio, presidente da Talent.
O tema continua no prĂłximo GH.