Uma pequena regra de ouro:elogios públicos, reprimendas privadas - TGI Consultoria

Uma pequena regra de ouro:elogios públicos, reprimendas privadas

 
É impressionantemente alta a quantidade de pessoas com responsabilidade de comando que fazem, justamente, o inverso do que sugere essa pequena regra de ouro da convivência humana e, em particular, da conduta organizacional. Fazem críticas severas públicas e elogios tímidos, quando o fazem, em particular.
Não sabem elas o quanto, com isso, trazem de prejuízo para as relações pessoais e para a produtividade. Criticadas severamente, muitas vezes submetidas a verdadeiras descomposturas em público, as pessoas que não reclamam na hora (que são, por sinal, a grande maioria) e se “submetem” à reprimenda, tendem a “descontar”, até inconscientemente, das formas as mais diversas, “criativas” e improdutivas possíveis.

“Chefes não criticam subordinados em público.”

Clemente Nóbrega, consultor, Exame, 21.02.2001

Quer dizer, os chefes conscientes. A não ser, claro (toda regra tem exceção!), em situações anormais, em momentos de grave comoção, em ocasiões de contestação à autoridade gerencial. Momentos em que o exemplo precisa ser dado. Mas, são casos raros. Se ocorrem com muita freqüência, são, eles próprios, sério indício de que há algo de muito errado na forma como a autoridade está sendo exercida no ambiente tormentoso.
O desejável e verdadeiramente produtivo é que de público sejam feitos os justos elogios, agradecimentos, observações positivas. De certa forma, pode-se dizer que as pessoas são “movidas” a reconhecimento e os elogios são uma forma de explicitar esse reconhecimento.

“Todo ser humano precisa ser elogiado. Senão, não se  tornará o que estava destinado a ser, nem mesmo a seus próprios olhos.”

Fabian Lagerkvist, 1891-1974, dramaturgo sueco

Mas, cuidado, o elogio tem que ser  verdadeiro e sincero. Surte efeito contrário se for falso, exagerado ou feito de má vontade. As pessoas notam e desconsideram, fazendo o “discurso” do elogiador cair no vazio e tudo virar uma encenação: elogiador e elogiado fazendo de conta que acreditam no que está sendo dito. Falsas gentilezas, falsos agradecimentos.
É tão importante o elogio que, quando bem feito, chega a deixar o destinatário indefeso como bem o destaca a frase atribuída a Freud, o pai da Psicanálise.

“Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio.”

Sigmund Freud, 1856-1939, psicanalista austríaco

Também no que diz respeito ao elogio, existem exceções. Há os que preferem ou se sentem até melhor, recebendo uma crítica do que sendo elogiado. Costumam fazer par com aqueles que só gostam de criticar, como naquela famosa piada do sádico e do masoquista (o masoquista pede: “me bate”; o sádico responde: “bato, não…”). Outros, sinceramente estóicos, preferem a crítica como forma de purificação.

“Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.”

Santo Agostinho

A grande maioria é composta, todavia, nem de masoquistas nem de estóicos, mas de pessoas que  apreciam o reconhecimento e os aplausos sinceros, desde que feitos diretamente e, não, de modo disfarçado.

“O ouvido humano é surdo aos conselhos e agudo aos elogios.”

Shakespeare

O bom gerente ou dirigente que souber atender, de forma ética e responsável, a essa grande demanda, tem melhores chances de conquistar a confiança, o reconhecimento e a gratidão dos seus comandados. Quanto aos que praticam o inverso, resta esperar para ver no que vai dar…