Um presidente fragilizado - TGI Consultoria

Um presidente fragilizado


Num país de tradição patriarcal como o Brasil, a figura do presidente da República tem uma importância por certo muito maior do que em outras nações com tradição democrática mais consolidada. O regime presidencialista (onde o presidente acumula as responsabilidades de chefe de estado e chefe de governo) reforça ainda mais esse aspecto. Uma pequena provocação: quem sabe o nome do presidente da Itália? Ou da Alemanha? Ou de Israel? Não é por acaso que quando comparamos uma fotografia dos presidentes brasileiros no início com outra no final do mandato vemos como foi severa a ação do tempo: fisionomia abatida, cabelos muito mais brancos, rugas bem mais profundas… Não deve ser fácil acumular tanta responsabilidade (e tantas expectativas), por mais preparado ou estimulado que esteja o ocupante do exigente cargo. Com um agravante: presidente no Brasil não consegue tirar férias, no máximo imprensa uns feriados numa praia cheia de fotógrafos…
Essas breves reflexões parecem oportunas para enquadrar a situação vivida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Paralisado por uma alentada sucessão de crises e escândalos, não conseguiu, na prática, iniciar o segundo mandato, aquele que seria marcado pelo desenvolvimento como o primeiro foi marcado pela estabilização da moeda. E, pelo andar da carruagem, esse “início” vai ficando cada vez mais remoto. Para o presidente, o pior dos mundos: já com índice de popularidade mais baixo de todos os tempos foi atingido em cheio pelo escândalo da liberação de verbas para a obra superfaturada do TRT de São Paulo, com a suspeita de envolvimento do seu ex-secretário geral. Pesquisa Datafolha realizada na última semana de julho não deixa dúvidas: para 45% dos entrevistados Fernando Henrique tem muita responsabilidade sobre as irregularidades cometidas; para 34% o presidente tem um pouco de responsabilidade; e para 86% deve ser aberta uma CPI para investigar o caso. Essa percepção é, por certo, injusta mas o estrago esta feito.
Uma questão relevante: até que ponto a fragilidade política do presidente, com o peso que o cargo tem, compromete a crença na democracia e no futuro do país? Essa rejeição do presidente não é muito diferente da rejeição aos políticos, ao Legislativo e ao Judiciário. Que futuro tem a democracia num país onde é tão grande a rejeição às instituições públicas, a começar pelo presidente da República?
Essa é uma questão que deve estar na ordem do dia de todos aqueles preocupados com o futuro do país, já que o nosso futuro fora da democracia é tenebroso.
Uma tentativa de resposta: tudo isso que está aparecendo nos jornais não é uma prova de que o país piorou. Pelo contrário, antes as coisas aconteciam mas não apareciam tão claramente. E, talvez, seja esse o ponto mais importante do nosso processo histórico: a imprensa aperfeiçoa seu papel de informar; amplia-se a convicção de que a transparência é um valor importante da vida democrática; vai ficando cada vez mais evidente que o preço da corrupção é alto. De certo, ainda é pouco mas, pelo menos, permanecemos no rumo. Mesmo um presidente que perde a credibilidade e desperdiça a chance que o destino lhe colocou nas mãos de comandar o rumo do país em direção ao desenvolvimento não deve nos confundir: assim como um Fernando é muito diferente do outro, o tempo vai continuar mostrando que há muitos que podem fazer a diferença.

Programa de Estágio

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