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Administração do tempo

    Todo executivo sente na pele que o tempo Ă© o seu recurso mais escasso. Por isso, já foram escritos muitos livros sobre como administrar melhor o tempo, de modo a tirar o proveito máximo dele. Como tudo mais em gestĂŁo empresarial, Ă© difĂ­cil encontrar uma receita universal para a questĂŁo da administração do tempo. Universal, mesmo, sĂł a lei de Parkinson: “o trabalho se expande atĂ© ocupar todo o tempo disponĂ­vel”.     Entretanto, vale a pena observar a organização que deu ao assunto Stephen R. Covey, no livro “Os 7 Hábitos das Pessoas Muito Eficazes” (Editora Best Seller, SĂŁo Paulo, 24ÂŞ edição), considerado, em pesquisa feita pela revista “Chief Executive” com 40 mil executivos (Folha de SĂŁo Paulo, 28.09.97), o livro de negĂłcios mais influente do sĂ©culo 20.     Ele montou uma matriz com duas categorias (URGĂŠNCIA X IMPORTĂ‚NCIA) e defende a tese que o executivo deve concentrar a parcela maior do seu tempo naquilo que Ă© mais importante e menos urgente (quadrante 1 da figura).      Deve ser reduzida, ao máximo, a destinação de tempo Ă s atividades dos demais quadrantes. Um exemplo ilustrativo: se “cuidar do carro” fosse uma responsabilidade executiva, lavá-lo nĂŁo pode ser considerado nem urgente, nem importante. Trocar o pneu furado pode ser considerado urgente mas, normalmente, sem importância estratĂ©gica. Já o aquecimento anormal do motor nĂŁo sĂł Ă© urgente como Ă© importante pelo prejuĂ­zo que pode provocar se nĂŁo for tratado logo. Agora, fazer a manutenção preventiva, como deve ser feita, Ă© importantĂ­ssimo mas nĂŁo Ă© urgente e, se nĂŁo for feita, levará, sem dĂşvida, Ă  utilização de tempo em outras atividades enquadráveis nos quadrantes 2 ou 3.     O mesmo pode ser dito do condicionamento fĂ­sico: jogar futebol uma vez por semana como atividade fĂ­sica exclusiva, segundo os entendidos, alĂ©m de nĂŁo ser nem urgente nem importante, Ă© perigoso. Cuidar de uma câimbra Ă© urgente mas nĂŁo importante. Um estiramento muscular Ă© urgente, importante e dolorosĂ­ssimo. Já exercĂ­cios fĂ­sicos regulares, ainda que nĂŁo intensos, podem evitar estiramentos e câimbras, alĂ©m de tornar o futebol semanal um prazer com menos riscos.     No que diz respeito Ă s questões do dia-a-dia do executivo, a maioria da correspondĂŞncia que Ă© recebida nem Ă© urgente nem Ă© importante e pode ser quase que completamente delegada. Já um telefonema, seja ou nĂŁo importante, transforma-se em urgente se tiver que ser imediatamente atendido.     O que Ă© importante, mesmo, alĂ©m de ser permanente, Ă© o desenvolvimento do pensamento estratĂ©gico para prevenir crises e diminuir o tempo desperdiçado nos outros quadrantes.

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US$ 300 bilhões em 6 anos

“Esse paĂ­s, feio, rico, pobre, lindo, qu’eu nĂŁo sei pr’onde onde tá indo mas sei que chega lá.” AntĂ´nio NĂłbrega e Wilson Freire, na mĂşsica “Na Pancada do Ganzá”, do CD do mesmo nome     Luiz Fernando Levy, diretor-presidente da Gazeta Mercantil, no pronunciamento feito em JoĂŁo Pessoa, dia 19.09.97, durante a solenidade de homenagem aos lĂ­deres empresários da ParaĂ­ba, eleitos pelos assinantes do jornal no estado, a exemplo do que já havia feito na homenagem aos lĂ­deres pernambucanos em agosto passado, alertou para a grande mudança pela qual o paĂ­s vai passar nos prĂłximos seis anos quando estarĂŁo sendo investidos, de acordo com estimativas feitas pelo Gazeta, US$ 240 bilhões em projetos privados (com recursos principalmente externos) e US$ 56 bilhões no Programa Brasil em Ação do Governo Federal.     Na presença dos empresários homenageados (Diomedes Teixeira de Carvalho, PROSERV – Serviços, Peças e VeĂ­culos; Evaldo da Silva Brito, HA Brito; Francisco de Assis Costa, Supermercados Boa Esperança; JosĂ© Carlos da Silva Junior, Grupo SĂŁo Braz; e do representante de Roberto Cavalcante Ribeiro, Polyutil), e dos convidados, Levy foi enfático ao afirmar que o impacto das mudanças provocadas por esses investimentos “reprodutivos”, Ăşnico na histĂłria do pais, vem vindo com uma rapidez impressionante. Estima que dentro de dois anos faltará mĂŁo de obra primária em várias partes do paĂ­s.     Entende que o Brasil está saindo de um estilo de desenvolvimento unipolar (concentração de investimentos nas regiões Sul e Sudeste) para um outro onde predomina a multipolaridade, sendo todas as regiões contempladas, destacadamente o Nordeste. Segundo ele, “nĂŁo há nenhum estado brasileiro onde nĂŁo serĂŁo feitos investimentos de porte.”     Para ilustrar sua crença neste cenário citou o caso da prĂłpria Gazeta Mercantil cuja estratĂ©gia, ao contrário da grande imprensa nacional concentrada na regiĂŁo Sudeste, consiste na implantação, atĂ© 1998, de escritĂłrios locais do Jornal em todas as 27 capitais estaduais, inclusive dos antigos territĂłrios, com o objetivo de registrar os fatos regionais e fazer o jornal chegar mais cedo na mĂŁo do leitor. Chamou isso de “cruzada da democratização da informação econĂ´mica.” Anunciou, inclusive, o inĂ­cio da impressĂŁo da Gazeta em Recife, ainda este ano.     NĂŁo deixou de alertar, tambĂ©m, para o outro lado da moeda deste cenário de forte investimento: o agravamento do quadro social com o crescimento do grupo dos excluĂ­dos, formado pelos desempregados “qualificados”. Aqueles que perderam os empregos devido aos processos de modernização e melhoria da competitividade implantados pelas empresas e pelos esforços de equilĂ­brio orçamentário empreendidos pelo setor pĂşblico. Estima que, sĂł em SĂŁo Paulo, o nĂşmero das pessoas nesta condição já chega Ă  casa de um milhĂŁo, o que tem incentivado, inclusive, a ampliação do Movimento dos Sem Terra.     Chamou a atenção de todos para a estrategicidade do momento que está sendo vivido hoje e para a importância da consciĂŞncia da elite empresarial para as mudanças que terĂŁo que ser feitas no paĂ­s e nas empresas, com destaque para o desenvolvimento do conceito de integração do Brasil na AmĂ©rica do Sul. Conclamou todos a pensarem, do ponto de vista comercial, na “Nação Mercosul” e no grande mercado que representa (“Amercosul“). Lembrou que a importância desse mercado Ă© tĂŁo grande que sofre o forte boicote dos Estados Unidos.     É preciso que os empresários estejam conscientes, preparem suas empresas e estejam prontos para apoiar e cobrar as medidas necessárias ao desenvolvimento social do paĂ­s.  “Haverá um aumento fantástico da competitividade porque, junto com o dinheiro para investimento, vĂŞm as empresas modernas.” Luiz Fernando Levy

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Mas o doutor nĂŁo mandou?

“Há dois tipos de empregados que qualquer patrĂŁo deve evitar: os que nĂŁo fazem o que ele manda e os que sĂł fazem o que ele manda.” Bud Hadfield, 72 anos, fundador da rede de franquias KIWIK COPY, a maior cadeia de gráficas rápidas do mundo, com faturamento US$ 500 milhões por ano, Revista Exame, 31.07.96     Algumas pessoas que leram o Conjuntura & TendĂŞncias nÂş 133 (Gerenciando pelos Resultados) manifestaram suas dĂşvidas sobre a validade de aplicar o que foi sugerido (gerenciar pelos fins e nĂŁo pelos meios) nas suas empresas, dado o nĂ­vel de pouca autonomia do pessoal.     Claro que, assim como cada pessoa Ă© diferente da outra, cada empresa tem suas peculiaridades e caracterĂ­sticas exclusivas. A prática tem demonstrado Ă  exaustĂŁo como sĂŁo precárias as receitas prontas e as regras gerais salvadoras, quando o assunto Ă© gestĂŁo empresarial.     Entretanto, Ă© possĂ­vel fazer algumas observações complementares ao que já foi referido no nĂşmero 133, mesmo admitindo, de partida, a dificuldade de generalizar.     Na maioria das situações, por incrĂ­vel que pareça, Ă© bem menos trabalhoso gerenciar pelos meios, dizendo passo-a-passo o que a pessoa deve fazer para conseguir determinado resultado, do que fazer o contrário. Gerenciar pelos resultados, significa constatar que a pessoa tomou decisões erradas, sendo freqĂĽentemente necessário refazer tudo, nĂŁo raro mais de uma vez, atĂ© dar certo. Significa ter uma postura educativa, permanente e trabalhosa. Significa um investimento e como todo o investimento, com retorno quase sempre a longo prazo.     Seguir o caminho do gerenciamento pelos resultados atĂ© as Ăşltimas conseqĂĽĂŞncias requer paciĂŞncia, disciplina e tempo, Ă s vezes indisponĂ­vel. Significa controlar o impulso de assumir logo a tarefa e fazer a coisa pessoalmente, já que, indiscutivelmente, sairia muito mas rápido e melhor.     É trabalhoso mas tem que ser feito porque todos os indicadores da gestĂŁo contemporânea apontam para a grande importância da empresa contar com o maior nĂşmero possĂ­vel de pessoas com iniciativa, capazes de agir com autonomia e boa dose de espĂ­rito empreendedor.     Há quem diga, inclusive, que sĂł sobreviverĂŁo as empresas que tiverem muitas pessoas com essas caracterĂ­sticas. E essas caracterĂ­sticas nĂŁo se desenvolvem em pessoas que fazem sĂł o que o patrĂŁo manda.     É responsabilidade de quem gerencia formar pessoas e equipes autĂ´nomas. É uma tarefa indelegável, tĂŁo nobre quanto difĂ­cil.     NĂŁo resta dĂşvida de que, para quem tem que fazer as coisas , Ă© bem mais cĂ´modo obedecer, inclusive para transferir a responsabilidade pelos fracassos. Geralmente nĂŁo Ă© maldade, Ă© por comodismo mesmo e, talvez, um pouco de raiva de nĂŁo ter sido perguntado.     Na empresa em que isto tambĂ©m poderia acontecer… quem está pagando os custos?

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Presente x Futuro

“Planejar-se para o presente requer uma clara definição do negĂłcio, um preciso delineamento dos segmentos de consumidores-alvo, funções voltadas para o consumidor e as abordagens que o negĂłcio precisa tomar; planejamento para amanhĂŁ Ă© quase sempre focalizado em como o negĂłcio deve ser redefinido para o futuro.” Derek F. Abell, no livro “Administrando com Dupla EstratĂ©gica-Dominando o Presente. Conquistando o Futuro”, Editora Pioneira Administração e NegĂłcios, SĂŁo Paulo, 1995         Outra grande dualidade da gestĂŁo empresarial, que tem repercussões sobre o planejamento e a formulação de estratĂ©gias, Ă© aquela que envolve a necessidade de agir bem no presente (inclusive para estar vivo no longo prazo) e de se preparar para tambĂ©m agir bem no futuro, considerando que as condições do futuro estĂŁo sendo gestadas hoje.     Na atualidade, o ambiente de negĂłcios no mundo e particularmente no paĂ­s tem-se tornado cada vez mais turbulento e competitivo. De acordo com Derek F. Abell, “apenas as administrações que focalizam sua atenção na mudança parecem ser capazes de sobreviver”. A partir desta constatação, vai mais alĂ©m no raciocĂ­nio: “enquanto planejar para hoje exige organização, planejar para o amanhĂŁ exige reorganização (…) planejar-se para hoje liga-se a administrar-se para a obtenção de resultados; planejar-se para o amanhĂŁ Ă© ligado a se administrar mudanças”.     DaĂ­, ser possĂ­vel usar com mais propriedade o conceito de “bifocalidade”. Como se estivesse  usando um Ăłculos bifocal, o gestor de negĂłcios deve instrumentalizar-se para poder lidar bem com o que está prĂłximo Ă  vista (o presente) e, ao mesmo tempo, com o que está distante (o futuro). Mesmo porque, ele terá muito mais chances de chegar onde pretende ir se nĂŁo ficar tropeçando nos batentes que aparecem pelo caminho, porque seu Ăłculos sĂł tem lente “para longe.” Ou, por outro lado, perder-se sem saber para onde ir porque a lente dos seus Ăłculos sĂł funcionam “para perto” e, Ă  distância, fica tudo “embaçado”.     Acontece, todavia, que isto, como a maioria das coisas, Ă© bem mais fácil de dizer do que de fazer. O mais comum Ă© as empresas estarem “tĂŁo envolvidas com o presente que falham, e de maneira total, em se preparar para o futuro”.     Gary Hamel e C.K. Prahalad, em seu excelente livro “Competindo Pelo Futuro – EstratĂ©gias Inovadoras para Obter o Controle do seu Setor e Criar os Mercados de AmanhĂŁ” (Editora Campus, Rio de Janeiro, 1995), alertam que “muitas vezes, o que impede a empresa de imaginar o futuro e descobrir um novo espaço competitivo nĂŁo Ă© o desconhecimento do futuro, mas o fato de que os gerentes tendem a olhar o futuro atravĂ©s da perspectiva estreita dos atuais mercados servidos”.     Preparar-se para o futuro exige, portanto, sobreviver bem no presente e pensar sistematicamente no futuro (usando as duas lentes), perguntando, sistematicamente, “e daqui a 10 anos?” Ou seja, “os meus clientes hoje sĂŁo esses, e daqui a 10 anos, quais serĂŁo? ” E assim por diante em relação aos produtos, concorrentes, parceiros etc.

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CadĂŞ o cliente que estava aqui?

“… todos os produtos, serviços e grandes idĂ©ias, nĂŁo importa o quĂŁo visionárias sejam, um dia se tornarĂŁo obsoletos, mas uma empresa visionária nĂŁo se torna necessariamente obsoleta, nĂŁo se tiver a capacidade organizacional para mudar constantemente e evoluir alĂ©m dos ciclos de vida dos produtos existentes.” James Collins e Jerry Porras, no livro “Feitas para Durar – Práticas Bem Sucedidas de Empresas Visionárias”, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1995     É mais comum do que se possa imaginar, nos dias de hoje, essa perplexidade que o tĂ­tulo tenta expressar.     A abertura da economia Ă  concorrĂŞncia internacional foi o tiro de largada para a nova fase que as empresas estĂŁo vivendo, do ponto de vista competitivo, no paĂ­s. A partir daĂ­, o carrossel do mercado começou a girar cada vez mais rápido. O ciclo de vida mĂ©dio dos produtos diminuiu, as grandes idĂ©ias passaram a sofrer concorrĂŞncia de outras grandes idĂ©ias, as margens reduziram-se e, em muitos casos, como que por encanto, os clientes desapareceram. A maioria, ingratos, sem sequer dizer adeus…     O grande desafio das empresas que pretendem permanecer competitivas nesses novos tempos Ă© voltarem todas as suas antenas e o melhor de sua capacidade perceptiva para o mercado.     SĂŁo vários os componentes do mercado que requerem atenção constante mas, no que diz respeito aos Produtos, aos Clientes e aos Concorrentes, essa atenção tem que adquirir status de obsessĂŁo, mais do que 24 horas por dia.     Parece Ăłbvio, mas a simples pergunta (elementar do ponto de vista do marketing) quem sĂŁo nossos (clientes ou concorrentes) ou quais sĂŁo nossos (produtos) Ă© capaz de, em muitos lugares, depois de um momento inicial de “indignação” pelo “primarismo” da questĂŁo, quase que provocar pânico coletivo.      O espanto Ă©, justamente, por constatar que essas informações (e as muitas outras necessárias), quando existem, estĂŁo fragmentadas e nĂŁo sĂŁo compartilhadas nem por quem decide nem por quem executa.     O pânico Ă© porque todos sabem, ainda que intuitivamente que, numa guerra, o oponente que tem mais informações e melhor capacidade e utilizá-las, vence.     Peter Drucker, o papa da administração, citado por Al Ries (ver indição abaixo) já disse que “qualquer empresa comercial tem duas, e apenas duas, funções básicas: marketing e inovação.”     O espĂ­rito dos novos tempos Ă© o espĂ­rito do mercado. Para se dar bem Ă© preciso estar preparado e, em caso de dĂşvidas (que sĂŁo sempre inĂşmeras) fazer a pergunta: “o que Ă© melhor para o cliente”? Para nĂŁo precisar fazer a outra, a do tĂ­tulo.

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Estrutura x Estratégia

    Dentre as diversas questões irresolvidas da gestĂŁo empresarial, uma merece destaque pela importância que tem no dia a dia: o conflito permanente entre a estrutura (divisĂŁo de áreas numa organização) e a estratĂ©gia (a agenda dos rumos e das intenções da organização em relação ao presente e ao futuro).     Enquanto que a estrutura naturalmente “força” a verticalidade, a estratĂ©gia pressiona pela horizontalidade. A construção esquemática abaixo tenta ilustrar essa importante dicotomia.       Esta realidade tende a ocorrer nas organizações de um modo geral, independente do seu tamanho ou área de atuação. É o que se poderia chamar de “distĂşrbio tĂ­pico do crescimento.”     É preciso atentar para o fato de que, sendo um problema conceitual irresolvido, nĂŁo há receita para a sua solução, a nĂŁo ser o cuidado dos responsáveis pela gestĂŁo em conseguirem, atravĂ©s da negociação permanente, o estado melhor possĂ­vel entre as partes e o todo.     O processo de formulação da estratĂ©gia (o planejamento estratĂ©gico) para ser bem sucedido, portanto, precisa incorporar essa visĂŁo bifocal (partes x todo). AlĂ©m disso, o gestor, no seu dia-a-dia, deve levar em conta esse conflito que Ă© permanente e surge a toda hora, mesmo nas questões aparentemente mais corriqueiras.

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Gerenciando pelos resultados

“Nunca diga Ă s pessoas como fazer as coisas. Diga-lhes apenas o que quer que elas façam e ficará surpreso com sua engenhosidade.” General George S. Patton, famoso militar americano na 2Âş Guerra, citado por David Osborne e Ted Gaebler no Livro “Reinventando o Governo”, Editora Comunicação, BrasĂ­lia     É impressionantemente comum na nossa cultura e, em particular, no meio empresarial a prática de se solicitarem coisas Ă s pessoas dizendo como elas devem fazer.     Uma explicação para isso talvez seja a de que a maioria dos gerentes e diretores de nossas empresas começaram sua vida profissional fazendo, eles prĂłprios, as coisas que depois solicitam de outros. DaĂ­, acharem que sabem a melhor maneira de como executá-las.     O surpreendente Ă© que, apesar das explicações, nĂŁo raro bastante detalhadas, uma quantidade muito grande de coisas continua sendo mal feita. Dando atĂ©, Ă s vezes, a impressĂŁo de ser de propĂłsito. Talvez seja porque as pessoas se preocupam mais em nĂŁo errarem nos meios do que em acertarem nos fins. Sem falar nas motivações inconscientes de “provar” que quem “manda” nĂŁo sabe direito o que está dizendo…     Já faz algum tempo em que, no meio da administração de empresas, era usual fazer-se a distinção entre eficiĂŞncia e eficácia. Ser eficiente, dizia-se, era fazer certo as coisas. Ser eficaz era fazer as coisas certas.     Talvez a questĂŁo possa ser colocada nestes termos: em se tratando de pessoas normais, desde que bem estabelecidos os limites dos custos, Ă© muito mais produtivo encomendar as coisas certas e deixar que elas pratiquem o seu modo prĂłprio de como fazĂŞ-las certo.

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Acompanhamento mensal

    A prática de aperfeiçoamento da gestão empresarial estratégica tem evidenciado que o acompanhamento mensal sistemático do desempenho financeiro dos negócios, pelo grupo responsável por sua condução, é condição essencial para o sucesso.     O acompanhamento periódico mensal dos números, em reunião específicas do colegiado de gestão de uma empresa, fornece, ao longo do tempo, a visão compartilhada indispensável à manutenção dos negócios em bases consistentes.     Embora possa parecer à primeira vista uma mera formalidade, este procedimento permite, ao mesmo tempo, o conhecimento do desempenho do período passado e a tomada de decisões corretivas para o período seguinte.     Para isto, algumas condições são necessárias. Uma, muito importante, é que as informações devem estar processadas logo no início do mês (quanto mais próxima do fechamento do mês anterior for a reunião, mais consequente será a análise). Outra, é que o instrumento de acompanhamento deve ser o mesmo todo mês, simples, cumulativo e dividido por negócio ou produto.     Deve ser estabelecida uma data mensal fixa para a reunião de acompanhamento (primeira segunda-feira, por exemplo) para que todos se acostumem e o agendamento seja facilitado.     Deve ser feita a leitura dos números (de preferência, o responsável pelo negócio ou produto deve fazer a apresentação comentada), discutidos os resultados e tomadas as decisões sobre o próximo período. É conveniente fazer uma ata sintética das principais decisões, depois remetida aos participantes para ajudar na memória das decisões.     O ideal é que nessa mesma reunião, após a análise do desempenho financeiro, sejam repassadas os grandes itens da estratégia da empresa e feitos os ajustes de curto prazo que se mostrarem necessários.   Não se deve esperar estar de posse de todas as condições necessárias para iniciar esse processo. A própria continuidade favorece o aperfeiçoamento. É preciso estar ciente de que, nem sempre, é possível contar com os dados contábeis para isso. Freqüentemente é preciso montar um sistema separado de apuração, muito embora o objetivo nunca deva deixar de ser a montagem futura a partir do banco de dados contábeis.

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Uma empresa premiada

    A Rodoviária Metropolitana Ltda (Operadora do Sistema de Transporte PĂşblico de Passageiros da RegiĂŁo Metropolitana do Recife, 36 linhas, 241 veĂ­culos, 2.600.000 passageiros transportados por mĂŞs, 1.052 funcionários) conseguiu um feito inĂ©dito: conquistou o 1Âş PrĂŞmio de Qualidade da Associação Nacional de Transportes PĂşblicos. Guardadas as proporções, este fato equivale, no setor, Ă  conquista da 1ÂŞ Copa do Mundo por uma seleção nacional de futebol.     Por isso, o Conjuntura & TendĂŞncias abre o espaço de uma edição especial para destacar o feito. A TGI acompanha de perto o esforço da Metropolitana (da qual Ă© parceira no aperfeiçoamento da gestĂŁo empresarial estratĂ©gica) na sua busca persistente pela qualidade dos serviços e do funcionamento interno.     Dentre as várias ações componentes deste esforço, trĂŞs merecem destaque pela função estruturadora que tĂŞm no processo instalado de melhorias contĂ­nuas da qualidade. Acompanhamento semanal da empresa pelo Conselho de GestĂŁo (Diretoria e Gerentes das áreas de Operação, Planejamento, Manutenção e Administração, num total de 6 integrantes). Planejamento estratĂ©gico anual da empresa, com revisĂŁo semestral e acompanhamento mensal (desempenho financeiro do perĂ­odo passado, prioridades estratĂ©gicas de cada área e medidas preventivas para o perĂ­odo futuro), realizado pelo Conselho Ampliado de GestĂŁo (Diretoria, Gerentes, Chefes e Supervisores, com 25 integrantes). Acompanhamento semanal de cada área, com a participação de Gerentes, Supervisores e Encarregados. Estabelecimento da Linha como unidade básica do negĂłcio da empresa, onde os operadores (motoristas, cobradores e lĂ­deres de terminal) tĂŞm função empreendedora e responsabilidade sobre o desempenho e os resultados. Participação nos resultados da empresa, com base no atingimento de metas estabelecidas semestralmente, para todos os funcionários, de acordo com a avaliação do desempenho de cada um.     A partir de 1998, a participação nos resultados será atrelada ao desempenho de cada unidade de negĂłcio, recebendo mais os integrantes das linhas que tiverem maior rentabilidade e melhor avaliação dos clientes.     A Rodoviária Metropolitana tem consciĂŞncia de que a conquista do PrĂŞmio ANTP de Qualidade/97 Ă© um estĂ­mulo para avançar no caminho traçado. Um caminho difĂ­cil mas possĂ­vel, sintetizado pelo pensamento de sua Diretora Executiva, Niege Chaves Rufino Ferreira:     “Lutamos para construir uma empresa que seja uma referĂŞncia para os seus clientes e para quem nela trabalha. Uma empresa que tenha mais empreendedores que empregados. Uma empresa que seja lucrativa, remunere o capital investido e divida uma parte de seus resultados com os empreendedores que ajudaram a produzĂ­-los. Em suma, uma empresa onde valha a pena investir e onde valha a pena trabalhar.”

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O inferno sĂŁo os outros

    Esta frase do tĂ­tulo Ă© atribuĂ­da ao filĂłsofo e escritor francĂŞs Jean Paul Sartre e ilustra com muita propriedade um sentimento bastante difundido nas empresas e organizações de um modo geral.     É o sentimento de que os responsáveis pelos problemas e pelas dificuldades sĂŁo os outros. As outras pessoas, os outros departamentos, o outro que Ă© chefe, o outro que Ă© subordinado, o outro que Ă© concorrente e, atĂ©, o outro que Ă© fornecedor ou cliente.     Uma pesquisa realizada pela TGI em 1991 sobre o funcionamento dos condomĂ­nios residenciais na RegiĂŁo Metropolitana do Recife concluiu que, na visĂŁo dos condĂ´minos, um dos principais problemas do local onde moram Ă© o vizinho (as crianças dos vizinhos, os descompromissos dos vizinhos, as dificuldades dos vizinhos etc).     É realmente impressionante observar como Ă© forte a tendĂŞncia que temos, diante dos problemas que aparecem, de procurar o culpado fora da situação em que estamos, sem nos darmos conta de uma coisa cuja simplicidade chega a ser “revoltante”: para o outro, o outro sou eu.     Diante desta constatação e partindo da frase de Sartre, Ă© possĂ­vel construir o seguinte silogismo:      Parece brincadeira, mas nĂŁo Ă©. Na grande maioria das vezes, nas situações organizacionais (e, há quem diga, na vida, de um modo geral), sĂł encontramos soluções consistentes quando admitimos ser parte do problema que precisamos resolver. Quando conseguimos entender que somos parte do “inferno”, aceitamos que estamos, tambĂ©m, diretamente implicados nas causas e, portanto, podemos assumir responsabilidade pelas soluções.     A questĂŁo Ă© tĂŁo sĂ©ria que essa simples admissĂŁo, por si sĂł, já seria capaz de provocar verdadeiras revoluções na gestĂŁo das empresas.     Resta a quem tem responsabilidade pelo aperfeiçoamento dos processos de gestĂŁo das empresas, cuidar para nĂŁo incorrer pessoalmente nesta armadilha paralisante, aproveitando as oportunidades para desarmar os argumentos de acusação que aparecem pelo caminho e transformam uma simples análise de problemas numa verdadeira “caça aos culpados.”     Ao mesmo tempo, Ă© preciso estar atento para nĂŁo dar pretexto de transformar-se num inferno para a vida dos outros e, como” castigo”, para a sua prĂłpria.

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