No Conjuntura & TendĂȘncias da semana passada foram relacionadas duas das quatro tendĂȘncias nĂŁo macroeconĂŽmicas de peso, com grande potencial de impacto sobre as empresas no ano que se inicia e nos prĂłximos.
SĂŁo elas: a Competição, a Internet, a Insegurança e a Responsabilidade Social. Neste nĂșmero, sĂŁo comentadas as duas Ășltimas.
I n s e g u r a n ç a As razĂ”es da situação ter chegado a esse nĂvel sĂŁo vĂĄrias e nĂŁo cabe discorrer sobre elas neste espaço, apenas ressaltar que a inflação crĂŽnica de duas dĂ©cadas teve um papel importante no agravamento desse quadro ao dividir a população em duas classes: a que podia indexar a sua renda (via aplicaçÔes financeiras) e a que nĂŁo tinha acesso a banco e, em face das perdas inflacionĂĄrias, empobrecia cada vez mais. De qualquer forma, trata-se de uma situação insustentĂĄvel do ponto de vista social que se tĂȘm agravado todo ano em que o crescimento da economia Ă© menor que 5% (mĂnimo considerado indispensĂĄvel para absorver a mĂŁo de obra nova que entra no mercado de trabalho). A conseqĂŒĂȘncia Ă© mais pobreza, mais marginalização, mais violĂȘncia e, conseqĂŒentemente, menos segurança. Em 2000, infelizmente, a insegurança deve aumentar. |
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R e s p o n s a b i l i d a d e  S o c i a l NĂŁo adianta, portanto, esperar que os governos resolvam sozinhos o problema. Ă absolutamente imprescindĂvel que as empresas e o chamado terceiro setor (a parte da sociedade organizada que nĂŁo Ă© nem governo nem empresa) entrem para valer nesta batalha de tornar o Brasil um lugar possĂvel de se viver com um mĂnimo de dignidade e segurança. Caso contrĂĄrio, corremos o risco de, dentro de um tempo surpreendentemente curto, sofrer os efeitos de um “bug social” (esse sim, o verdadeiro bug do milĂȘnio), de conseqĂŒĂȘncias imprevisĂveis. Afinal de contas, Ă© um absoluto contra-senso trabalhar duramente para ganhar dinheiro e ter que ficar trancado dentro de casa (se fosse possĂvel, dentro do cofre), sem poder andar na rua, para nĂŁo ser agredido, assaltado, seqĂŒestrado (hoje, qualquer pessoa de classe mĂ©dia pode ser vĂtima de um seqĂŒestro-relĂąmpago) ou atingido por uma bala perdida… |
JĂĄ existe muita gente conscientizada da gravidade da situação e da necessidade de agir, mas ainda Ă© muito pouco face Ă s dimensĂ”es do problema. Neste ano que se inicia, cada empresa estĂĄ desafiada a entrar na luta por um paĂs menos injusto e, portanto, menos inseguro, a partir de suas capacidades objetivas de intervenção, sem falsa filantropia ou obras de fachada, mas com determinação, criatividade e preocupação com resultados concretos. Os prĂłprios clientes, para fazerem suas escolhas, jĂĄ estĂŁo usando (e vĂŁo fazer isso de forma cada vez mais intensa), o critĂ©rio de empresa socialmente responsĂĄvel. Quem nĂŁo for, perde capacidade de competir.