Um gĂȘnio do marketing

Theodore Levitt, em seu famoso artigo, o clĂĄssico “Marketing Myopia” de 1960, chama a atenção para um fato atĂ© hoje, entre nĂłs, muito pouco levado em conta, pelo menos coinscientemente . Ele considera Henry Ford, o criador da indĂșstria automobilĂ­stica, um gĂȘnio do marketing e, nĂŁo, um gĂȘnio da produção, como Ă© comumente citado.

“…Ford foi ao mesmo tempo o mais brilhante e o mais insensato negociante da histĂłria dos Estados Unidos. Foi insensato porque se recusou a dar aos fregueses qualquer coisa que nĂŁo fosse um automĂłvel preto. Foi brilhante porque idealizou um sistema de produção destinado a atender Ă s necessidades do mercado. Em geral nĂłs o homenageamos por um motivo errado: seu gĂȘnio em matĂ©ria de produção. Na realidade, ele era um gĂȘnio em marketing. Acreditamos que ele conseguiu reduzir o preço de venda e assim vender milhĂ”es de automĂłveis a 500 dĂłlares cada um graças Ă  sua invenção da linha de montagem, que diminuĂ­a os custos. Na realidade, ele inventou a linha de montagem porque concluĂ­ra que, a 500 dĂłlares por unidade, ele poderia vender milhĂ”es de automĂłveis. A produção em massa foi o resultado e nĂŁo a causa dos preços baixos.”

Theodore Levitt

O importante desta constatação Ă© que ela nos remete, com muita precisĂŁo, para onde estĂĄ o “x” da questĂŁo: o mercado como fim e a produção como meio para atingi-lo. NĂŁo sĂŁo poucas as empresas que “esquecem” isso e se vĂȘem em situação difĂ­cil quando, mesmo contando com capacidade produtiva muito boa (mĂĄquinas, instalaçÔes, rotinas sistematizadas…), sĂŁo atacadas por concorrentes mais rĂĄpidos ou ousados.
JĂĄ se tornou lugar comum dizer que o maior patrimĂŽnio de uma empresa Ă© a sua carteira de clientes (reais ou potenciais) mas, na prĂĄtica, essa verdade Ă© muito menos considerada do que deveria. O prĂłprio Levitt alerta, falando dos EUA: “Ford salienta constantemente este ponto, mas uma nação de administradores de empresas orientados para a produção se recusa a aprender a lição que ele deu“.
Nós não precisamos repetir erros jå detectados e devemos aprender com eles. O marketing vem antes da produção, sempre.