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A sobrevivĂŞncia dos paranĂłicos

    Está fazendo sucesso no meio empresarial a matĂ©ria da Revista Exame que traz esta observação de EugĂŞnio Staub. Trata-se de uma excelente matĂ©ria de Clayton Netz intitulada “As Virtudes da ParanĂłia” na qual Ă© defendida a tese de que “no Brasil dos anos 90 e da globalização, quem nĂŁo Ă© paranĂłico em seu negĂłcio fica fora do jogo.”     Na verdade, essa idĂ©ia de paranĂłia empresarial Ă© tomada de emprĂ©stimo a Andrew Grove, hĂşngaro radicado nos EUA, engenheiro quĂ­mico, presidente da Intel Corporation, lĂ­der mundial na fabricação de semicondutores e uma das empresas mais bem sucedidas do mundo, que escreveu e publicou este ano o livro “Only the Paranoid Survive”, ainda nĂŁo traduzido para o portuguĂŞs.      ParanĂłia, na conceituação original, psiquiátrica, Ă© uma patologia psĂ­quica que se caracteriza, em sua forma aguda, por delĂ­rios de perseguição ou de grandeza. Na forma empresarialmente “sadia”, defendida por Grove, significa estar sempre alerta e permanentemente atuante na construção das condições necessárias Ă  sobrevivĂŞncia da empresa, no presente e no futuro.     Trata-se, portanto, da “boa” paranĂłia, no sentido da “inquietação necessária” de que já tratou o Conjuntura & TendĂŞncias nÂş 57 (26.02.96). NĂŁo se acomodar nunca; nĂŁo achar que o que a empresa tem ou construiu já está bom ou consolidado; cuidar dos produtos e clientes de hoje; acompanhar atentamente os concorrentes (a Exame fala em “enxergá-los em cada esquina”); e pensar sistematicamente nos produtos, clientes e concorrentes de amanhĂŁ.     NĂŁo Ă© fácil nem Ă© tranquilo, mas tambĂ©m nĂŁo precisa ser sufocante ou insuportável. Dá para conviver saudavelmente com esses traços de paranĂłia intencional, desde que façam parte de um estilo de vida que pode ser, ao mesmo tempo, sadio, exigente e emocionante.     O Jornal do Commercio e a TGI tĂŞm a honra de convidá-lo, como assinante do Conjuntura & TendĂŞncias, para o evento de apresentação dos resultados finais da Pesquisa Empresas & Empresários – Ano 7 que contou com o patrocĂ­nio do SEBRAE-PE e da CELPE e o apoio do IEL, AD/DIPER, UFPE-Departamento de CiĂŞncias Administrativas e FACEPE. Será nesta segunda feira, dia 12.05.97, Ă s 19 horas, no auditĂłrio do SEBRAE-PE, rua Tabaiares, nÂş 360, Ilha do Retiro, Recife. SerĂŁo comentadas boas e más paranĂłias empresariais em Pernambuco.

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Buscando a perenidade

    Para ser bem sucedida no presente, a empresa precisa ser competitiva, o que significa ter bom desempenho e boa posição no mercado.     Ser perene, ou seja, ter consciência e adaptabilidade para enfrentar as mudanças e se reposicionar, mantendo o rumo, entretanto, é um desafio do futuro.     Olhar para o futuro, sendo competitivo hoje, envolve alguns paradoxos para os quais é preciso atentar.     Tanto o desejo de consolidar a empresa, quanto o objeto externo deste desejo (o mercado, a clientela) são, por natureza, móveis.     Do ponto de vista psíquico pode-se dizer que não há desejo satisfeito, apenas momentos em que impera algum sentimento de satisfação, mas não é perene. Desejo pode ser entendido, principalmente, como um movimento de buscar algo que falta ou, para quem é exigente, algo a mais.     Além disso, como a satisfação do desejo depende do outro, sempre há o risco de esse outro não estar no lugar esperado, ou sair do lugar em que estava, quando menos se espera.     Por isso, para construir as condições da perenidade, os que fazem a empresa não podem deixar de ter sempre em mente que:

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Orientando para o futuro

    AlĂ©m de “Feitas para Durar” (ver Conjuntura & TendĂŞncias nĂşmero 116), um outro livro, de lançamento mais ou menos recente, está fornecendo importantes subsĂ­dios para a orientação estratĂ©gica das empresas que pretendem ser bem-sucedidas no competitivo mundo atual. Trata-se de “Competindo pelo Futuro: EstratĂ©gias Inovadoras para Obter o Controle do Seu Setor e Criar os Mercados do AmanhĂŁ”, de Gary Hamel e C.K. Prahalad (Editora Campus Ltda, Rio de Janeiro, 1995).      Os autores defendem a tese de que “nĂŁo existe algo como ‘manter a liderança’, a liderança precisa ser continuamente reinventada” e, hoje em dia nas empresas, “os gerentes estĂŁo gastando muito tempo com a gestĂŁo do presente e nĂŁo estĂŁo dedicando tempo suficiente para a criação do futuro”. Inspirado na tese dos autores e num questionário que propõem, Conjuntura & TendĂŞncias apresenta o teste abaixo para ajudar a aferir o grau de orientação da empresa para o futuro. Basta marcar um X nos nĂşmeros 1 e 2 se a prática atual da empresa, em relação a cada tema, está mais prĂłxima da descrição Ă  esquerda; 4 ou 5 se está mais para a da direita; ou 3 se está entre uma e outra.

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Desmontando mitos

    No excelente livro “Feitas para Durar – Práticas Bem Sucedidas de Empresas Visionárias” (Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1995), James Collins e Jerry Porras relacionam 12 mitos sobre sucesso empresarial que logo cuidam de desmontar, baseados nos resultados da pesquisa que fizeram (e que deu origem ao livro) com 18 empresas que chamam de visionárias, ou seja, com consistente visĂŁo de futuro (3M, American Express, Boeing, Citicorp, Ford, General Eletric, Hewlett- Packard, IBM, Johnson & Johnson, Marriott, Merck, Motorola, Nordstrom, Philip Morris, Procter & Gamble, Sony, Wal-Mart e Walt Disney).     Abaixo, estĂŁo relacionados esses 12 mitos e, ao lado, a sĂ­ntese dos argumentos da sua “desmontagem”, construĂ­dos a partir da referĂŞncia dos autores, eventualmente adaptados pela experiĂŞncia prática da TGI. Š

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Consolidando o negĂłcio

    Os prĂłximos trĂŞs nĂşmeros de Conjuntura & TendĂŞncias, assim como este, tratarĂŁo do tema Empresas Bem Sucedidas, buscando aprofundar o conhecimento sobre o que fazem as empresas que estĂŁo se dando bem, aqui e pelo mundo afora. Os prĂłximos tĂ­tulos serĂŁo: Desmontando Mitos; Orientando Para o Futuro; e Buscando a Perenidade.     Sobre o assunto deste nĂşmero, a experiĂŞncia tem demonstrado que, dentre outras coisas, a direção das empresas bem sucedidas coloca em prática determinados procedimentos que funcionam como elementos de consolidação do negĂłcio. A seguir, sĂŁo listados dez desses procedimentos. ExercĂ­cio da liderança compartilhada, privilegiando os vĂ­nculos, desenvolvendo o espĂ­rito de “time” e reforçando, em especial, o time gerencial. ĂŠnfase no controle dos resultados (dos fins), delegando para os gerentes o controle do passo-a-passo, de como fazer e dos meios . Obtenção de lucros como condição antecedente para que os sĂłcios, pessoalmente, ganhem dinheiro. Desenvolvimento de formas de remuneração estratĂ©gica e esquemas estimuladores de participação nos resultados. ĂŠnfase predominante nas questões de ordem estratĂ©gica, delegando a responsabilidade pelas questões operacionais. Preocupação constante com o mercado e com o atendimento, buscando chegar, o mais possĂ­vel, prĂłximo ao cliente. Preocupação permanente com custos, associando o aspecto financeiro ao econĂ´mico e regulando as decisões financeiras por critĂ©rios empresariais e pelas prioridades estratĂ©gicas definidas. EstĂ­mulo a outros saberes na equipe, fazendo circular informações e compartilhando o domĂ­nio do negĂłcio com parceiros internos. Pratica da negociação e promoção da autonomia, buscando desenvolver o espĂ­rito empreendedor de cada um e, particularmente, do corpo gerencial. Preocupação continua em superar a si prĂłpria mais do que em superar os concorrentes.     AlĂ©m disso, um outro aspecto importante tem sido observado no procedimento dos dirigentes de empresas bem sucedidas. Eles parecem saber bem, mesmo seguindo procedimentos mais ou menos comuns entre si, que nĂŁo há receita acabada para desenvolver as empresas. Por isso, procuram desenvolver, de modo acentuado, tambĂ©m, a capacidade de inventar, de tentar, de suportar que algo falhe e de sempre recomeçar, quando necessário.

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Um assunto delicado

Fundar e consolidar uma empresa, desenvolvendo um negĂłcio Ă© uma empreitada exigente. FazĂŞ-lo em condições de ser competitivo, mais ainda. Fazer isso em famĂ­lia, entĂŁo, aumenta muito mais o nĂ­vel de exigĂŞncia. Considerando que muitas das grandes multinacionais um dia foram familiares e que muitas das nossas empresas atuais foram ou sĂŁo de origem familiar, cabe perguntar: o que, em princĂ­pio, faz da famĂ­lia uma fonte geradora tĂŁo freqĂĽente de empresas? É quase impossĂ­vel desconsiderar uma inevitável associação com as exigĂŞncias de fazer uma sociedade:convergĂŞncia de interesses, vĂ­nculos consistentes, uma boa base de confiança e sentimento mĂ­nimo de unidade. Tudo isso, supõe-se ter em famĂ­lia. Mas nĂŁo Ă© sĂł pelo potencial de sociedade formal, dessa “sociedade natural” constituĂ­da pela famĂ­lia, que se explica a incidĂŞncia de negĂłcios em famĂ­lia. Há de ser considerado, tambĂ©m, o fato de que muitas empresas foram fundadas por personagens empreendedores, muitos homens e algumas mulheres que, vendo consolidado seu empreendimento, sentem um inevitável e legĂ­timo desejo de fazĂŞ-lo continuar com seus sucessores naturais, filhos ou outros parentes. Como contrapartida e complemento desse desejo, Ă© tambĂ©m frequente que filhos ou outros parentes se interessem em participar desse negĂłcio, queiram aprender a conduzĂ­-lo ou pensem em torná-lo ainda maior ou mais sĂłlido. A histĂłria mostra, porĂ©m, que esse caminho “natural”, nĂŁo Ă© tĂŁo natural assim. Precisa ser gerenciado, sob pena de perder-se em descaminhos que podem matar a empresa. Por isso, a pergunta tĂ­tulo: fazer negĂłcios em famĂ­lia trata-se, afinal, de uma contradição (FamĂ­lia X Empresa) ou de uma agregação (FamĂ­lia + Empresa)? TrĂŞs coisas sĂŁo fundamentais para que a famĂ­lia nĂŁo se transforme em fator de destruição e que, ao contrário, seja aproveitado ao máximo seu potencial positivo: (1) buscar conhecer e compreender os dinamismos complexos envolvidos; (2) assumir a profissionalização como alternativa irrecusável, indo Ă s suas Ăşltimas conseqĂĽĂŞncias; (3) aprender a enfrentar a dimensĂŁo imaginária, afetiva e emocional das relações como parte de uma realidade administrável, mesmo que nem sempre racional. AlĂ©m disso, Ă© tambĂ©m muito facilitador colocar esses trĂŞs processos num contexto de “mudança gerenciada”, tentando estabelecer as bases de um novo modelo empresarial que envolva componentes básicos de competitividade. Algumas vezes, um apoio externo Ă© essencial para ajudar a sair do emaranhado da mistura famĂ­lia-empresa, justo porque aquele que apoia nĂŁo está implicado na histĂłria familiar. Enfrentadas a questões problemáticas e assumindo o que precisa ser feito, a famĂ­lia pode representar um grande potencial de desenvolvimento e consolidação da empresa: pela solidez dos vĂ­nculos; pela base de confiança; pela maior facilidade de acomodar interesses; pela facilidade de articulação e integração. É evidente que essas vantagens sĂŁo potenciais e dificilmente se tornam realidade como fato natural. Ao contrário, precisam ser estimuladas, investidas, administradas. Por isso, pode-se dizer que a pergunta-tĂ­tulo (FamĂ­lia X Empresa ou Empresa + FamĂ­lia?) tem duas respostas: as duas conexões sĂŁo simultaneamente verdadeiras já que há uma dimensĂŁo inevitável de contradição e outra de potencial agregador; qualquer uma delas pode prevalecer, dependendo do modo de gestĂŁo instalado e das decisões de mudança assumidas. Em sĂ­ntese, o desafio maior, para a maior parte das empresas familiares Ă© agir estrategicamente quanto ao fato consumado de a famĂ­lia estar na origem e na gestĂŁo da empresa: aproveitar as oportunidades e forças e enfrentar as ameaças e fraquezas. Afinal, quem corre riscos tende a conseguir mais.

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Para além da fiscalização

        Embora em determinados tipos de atividade empresarial a fiscalização seja um mecanismo importante de controle gerencial, usá-la como instrumento estabilizador da gestĂŁo Ă© nĂŁo sĂł insuficiente como, em muitos casos, francamente contraproducente.     É muito mais freqĂĽente do que se supõe fiscalização rimar com boicote, transgressĂŁo, erros sucessivos, prejuĂ­zo. Ou seja, o inverso do que pretende.     A fiscalização pura e simples (na forma de “vigiar e punir” de que nos fala o pensador francĂŞs Michael Foulcault) desencadeia um modo de relação bastante primitivo, instintivo mesmo, do tipo caçador-caça que, paradoxalmente, quando mais severo e “eficiente” Ă©, mais estimula a transgressĂŁo. Incentiva uma espĂ©cie de jogo onde o fiscalizado sente-se “estimulado” a ludibriar o fiscal, ainda que, nem sempre, de maneira premeditada ou, mesmo, consciente.     Mais do que apenas fiscalizar, (ainda que existam situações onde isto seja imprescindĂ­vel), Ă© de fundamental importância que sejam, tambĂ©m, estimulados mecanismos de desenvolvimento da autonomia, e da corresponsabilidade, âncoras mais sĂłlidas e duradouras de uma gestĂŁo estável e auto sustentada.     Estabelecer e continuamente desenvolver formas de fazer com que cada um seja regulado por seu prĂłprio compromisso com a qualidade Ă©, hoje em dia, um imperativo nĂŁo apenas da redução de custos como de aumento das receitas. Pelo lado dos custos, porque a rotatividade dos fiscalizadores tende a ser grande para que nĂŁo seja preciso colocar um fiscal para cada fiscal. Pelo lado da receita, pela necessidade de estimular a ampliação da responsabilidade por seu aumento contĂ­nuo.     Sistemas de produtividade ou participação nos resultados, por exemplo, quando bem implantados e acompanhados, funcionam como bons indutores de autonomia e corresponsabilidade.     Substituir a fiscalização como instrumento principal de controle da gestĂŁo por mecanismos que estimulem o comprometimento (em fazer o que Ă© nessessário no lugar de nĂŁo fazer o que Ă© proibido) passa a ser, cada vez mais, portanto, um fator de diferenciação competitiva na corrida pela sobrevivĂŞncia e pelo desenvolvimento sustentado das empresas e organizações de um modo geral.

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Para fazer mudanças necessárias

    Diante das novas exigências da competitividade e da sobrevivência empresarial, a questão da mudança, enquanto movimento indispensável à atualização das empresas, é algo que está mais do que nunca na ordem do dia da gestão contemporânea.     Mudar de forma ordenada e consciente, ainda que custosa (toda mudança é custosa), é sempre melhor do que ser mudado pela realidade, ocasião em que as margens de manobra ficam muito estreitas e a colisão é inevitável.     Fazer mudanças conseqüentes na empresa significa sair de uma determinada situacão não desejada para outra mais adequada. Fazer isso, quase nunca, é simples ou fácil. Mudar é sempre trabalhoso e exigente (ver, a propósito, Conjuntura & Tendências nº 38).     Algumas empresas, mesmo diante da necessidade premente de promover mudanças (da forma de agir, gerenciar, produzir, relacionar-se com os clientes etc), não conseguem e pagam caro, às vezes com a própria vida.     A prática de trabalho com a mudança nas empresas e organizações tem evidenciado de um modo geral que, para mudar de fato, é indispensável, pelo menos, três condições básicas e três exigências decorrentes, conforme ilustra o quadro abaixo.     É preciso que haja uma ameaça imediata ou potencial (avanço do concorrente sobre os clientes, invenção de uma nova e revolucionária tecnologia, rejeição dos produtos pelos clientes etc), nitidamente percebida por um grupo influente, que tenha uma liderança segura e legitimada, capaz de articular, de forma consistente, um projeto de mudança sintetizador de uma visão de futuro mobilizadora para o resto da organização.

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Nada de novo no front

        Coincidindo com o aniversário de trĂŞs anos do lançamento da URV, tiro de largada do Plano Real, a Fundação Instituto de Pesquisas EconĂ´micas da USP (Fipe) divulgou o seu Ă­ndice de Preços ao Consumidor (IPC) do mĂŞs de fevereiro: 0,01%, o menor desde dezembro de 1958, quando a variação foi zero.     TambĂ©m coincidindo com este aniversário, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂ­stica) divulgou o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do paĂ­s em 1996: 2,91%, o que representou um crescimento 1,52% do PIB per capita (já que o crescimento populacional no ano foi de 1,36%).     Esses Ă­ndices reforçam uma caracterĂ­stica da economia na vigĂŞncia do Plano Real: combinação de inflacĂŁo baixa com crescimento tambĂ©m baixo.     A esses dois componentes agrega-se um terceiro de potencial explosivo no mĂ©dio prazo: dĂ©ficit pĂşblico alto e dĂ­vida pĂşblica crescente.     Estudo feito pelo professor Márcio Garcia da PUC-Rio, divulgado por Celso Pinto, em sua coluna de 09.03.97 no Jornal do Brasil, conclui que a inflação de 1996 teria sido de 113% se o governo tivesse querido financiar o dĂ©ficit em suas contas (receitas-despesas), que foi de 3,9% do PIB, com a emissĂŁo da moeda, como era feito no passado, e nĂŁo com o lançamento de tĂ­tulos pĂşblicos, como se faz desde o inĂ­cio do Plano Real. A emissĂŁo de tĂ­tulos pĂşblicos nĂŁo produz diretamente inflação mas aumenta a dĂ­vida pĂşblica.      DaĂ­, pode-se concluir que o que está financiando a inflação baixa Ă© a divida alta. Desde a implantação do Plano Real, o estoque da dĂ­vida pĂşblica triplicou (Folha de SĂŁo Paulo, 08.03.97)      “SĂł que nĂŁo dá para aumentar a dĂ­vida indefinidamente: seu custo ficará tĂŁo alto que o mercado terá medo de financiá-la. Por esta razĂŁo, Ă© impossĂ­vel conciliar, durante muito tempo, dĂ©ficits pĂşblicos com inflação baixa. Ou some o dĂ©ficit ou volta a inflação” (Celso Pinto, citando o professor Márcio Garcia).     Para acabar com o dĂ©ficit, a prescrição Ă© clássica: aumentar receitas e diminuir despesas. Do lado das receitas, foi feito um extraordinário esforço de aumento da arrecadação que vem batendo recordes anuais sucessivos. Hoje, a carga tributária no Brasil (segundo estudo do grupo financeiro norte americano Goldman Sachs, divulgado na Folha de SĂŁo Paulo de 08.03.97 ) já Ă© a maior da AmĂ©rica Latina: 33% do PIB. Do lado das despesas, o governo tem se defrontando com os inĂşmeros “ralos da RepĂşblica” (má utilização dos recursos pĂşblicos, fraudes da PrevidĂŞncia, máfia do orçamento, superfaturamento de obras etc.) e vem sendo surpreendido pelos “esqueletos encontrados no armário” (desequilĂ­brio atuarial da PrevidĂŞncia, dĂ­vidas dos estados, rombo do fundo de variações salariais do Sistema Financeiro da Habitação, alto estoque de moedas pobres etc). NĂŁo Ă© fácil.     Nada disso, no entanto, Ă© novo. Todos os ingredientes estĂŁo em cena desde o inĂ­cio do Plano Real. NĂŁo há receitas mágicas para resolver, a nĂŁo ser muito trabalho. O objetivo desejado da estabilização duradoura, inflação baixa com crescimento alto e melhor distribuição de renda, ainda Ă© um alvo distante, embora alcançável.     Para as empresas, o reforço da constatação : continuar trabalhando sem descanso na melhoria da qualidade dos produtos, no enxugamento dos custos, no aperfeiçoameto da gestĂŁo, no encurtamento da distância com os clientes, no acompanhamento atento dos passos da concorrĂŞncia, no esforço de continuamente procurar superar suas prĂłprias performances. E, tambĂ©m, nĂŁo esperar facilidades macroeconĂ´micas por que elas nĂŁo virĂŁo tĂŁo cedo.

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