Author name: helder

Empregados empresários

    Empresas competitivas exigem pessoas competitivas.     Embora pareça Ăłbvia, esta constatação tem provocado nas empresas, em sua preparação para um futuro de crescente exigĂŞncia por competitividade, uma verdadeira revolução no modo de organização e nas relações de trabalho.     O desafio maior para os dirigentes passa a ser como transformar empregados em empreendedores, o que significa passar da condição de pensar como “operador” para pensar como “dono do negĂłcio.”     É como disse o consultor de empresas norte americano Stanley Daves, autor do best-seller Futuro Perfeito:     O requisito-chave para essa mudança de condição Ă© a transformação das unidades organizacionais (departamentos, setores…) em unidades de negĂłcio com clientela (externa ou interna), produtos, custos e metas bem definidos. Isto permite uma outra forma de participação dos “novos empreendedores” nos resultados do seu negĂłcio.     Embora sujeita a resistĂŞncias e dificuldades como todo processo de mudança, essa transformação traz resultados positivos para ambas as partes.     As empresas bem sucedidas no atual ambiente de negĂłcios (ver sobre o assunto no prĂłximo Conjuntura & TendĂŞncias) já descobriram que o caminho mais curto, embora nĂŁo o mais fácil, para o fortalecimento da competitividade Ă© desenvolver o espĂ­rito empreendedor dos seus empregados.     Afinal, ou as pessoas fazem o que precisa ser feito porque vĂŁo ganhar com isso, ou nĂŁo há força humana que consiga obrigar a um bom desempenho por muito tempo.

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Uma visĂŁo do "Merconorte"

    Praticamente todas as análises que sĂŁo feitas considerando os impactos sobre o Nordeste da globalização da economia e da implantação do Mercosul apontam mais desvantagens que vantagens para a regiĂŁo.     Se isso Ă© verdade, entĂŁo, o que fazer? Que alternativas podem ser trabalhadas?                             Em instigante estudo recente, o “chairman” da Rio Doce Internacional, ex-ministro e reconhecido estrategista, Eliezer Batista da Silva, apresenta dois cinturões principais de desenvolvimento da AmĂ©rica do Sul: o CinturĂŁo do Sudeste (influenciando pelo Mercosul) e o CinturĂŁo de Desenvolvimento do Norte (a desenvolver-se no mĂ©dio prazo de 5 a 10 anos).     Este CinturĂŁo Norte se espalha, tendo como suporte logĂ­stico central o sistema de navegação pela costa marĂ­tima da ColĂ´mbia Ă  Bahia, conforme mostra o mapa.     A população total sob influĂŞncia deste CinturĂŁo Ă©, hoje, de 110 milhões e o PIB de US$ 240 bilhões. Segundo o estudo, “a existĂŞncia de assentamentos humanos quase totalmente desenvolvidos ao longo de toda a costa de Cartagena atĂ© Salvador e uma completa ordem de ainda desconhecidas e inexploradas complementariedades econĂ´micas faria deste CinturĂŁo do Norte uma zona com o maior potencial para crescimento da AmĂ©rica do Sul nas prĂłximas duas ou trĂŞs dĂ©cadas.”     Essa breve visĂŁo do que poderia ser um grande mercado do norte da AmĂ©rica do Sul (o “Merconorte”?) está completamente ausente do que se tem discutido e publicado sobre o Nordeste nos Ăşltimos anos. SĂł isto parece ser uma evidĂŞncia de que, hoje, o debate está mais condicionado pelo que “nĂŁo pode” do que pelo que “poderia ser”.     A propĂłsito, já existem negociações avançadas entre a Petrobras e a empresa de petrĂłleo da Venezuela (a segunda maior do mundo no setor) para a construção, em parceria, de uma refinaria no Nordeste, usando petrĂłleo venezuelano.     Talvez a saĂ­da para a regiĂŁo esteja em ampliar a perspectiva espacial e temporal do debate. Deixar de olhar sĂł para o Sul e olhar tambĂ©m para outras direções. Quem sabe, essa visĂŁo nĂŁo seja promissora?

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Contradição não é defeito

     Geralmente, quando se fala em contradição, logo vem Ă  mente a idĂ©ia de incoerĂŞncia, confusĂŁo, falta de harmonia. Por isso, quando a opiniĂŁo de alguĂ©m nĂŁo está muito clara, nĂŁo Ă© difĂ­cil que seja considerada “contraditĂłria.”      Se a contradição representa essas coisas, deve-se, entĂŁo, procurar eliminá-la, logo quando surge (e, como surge!) no dia-a-dia empresarial?      NĂŁo, necessariamente.      Antes de significar incoerĂŞncia, a contradição expressa oposição entre duas forças sobre uma determinada questĂŁo. É dinamismo: um lado se mobiliza para transformar, o outro resiste para permanecer como está.      NĂŁo Ă© sĂł de audácia que Ă© construĂ­do o sucesso empresarial. Nem muito menos de prudĂŞncia exclusivamente. A observação do desempenho das empresas bem sucedidas mostra que elas tecem o sucesso com uma fibra mista de ousadia (para criar coisas novas) e conservadorismo (para preservar o conquistado).                                                                        Portanto, nĂŁo há nada de mau no fato de existirem, numa empresa, opiniões opostas (e, portanto, contraditĂłrias) sobre opções de investimento ou alternativas de produtos a serem lançados, por exemplo. Pelo contrário, atĂ©. É muito rico e, mesmo, vital que se dĂŞ este embate. É benĂ©fico que aflore a contradição entre ousar mais, ou menos.       Há, entretanto, uma condição para usufruir do benefĂ­cio: Ă© fundamental que as posições contraditĂłrias nĂŁo sejam paralisantes. Que haja boa vontade e senso estratĂ©gico para tirar partido do princĂ­pio ativo da contradição sem que ele, pelo excesso, envenene a competitividade.      Para isto, a experiĂŞncia tem mostrado que Ă© preciso esquecer o ideal de harmonia e de consenso na vida empresarial, estimulando ao mesmo tempo, a discussĂŁo e a contraposição produtiva de idĂ©ias.      Neste contexto, a contradição nĂŁo sĂł Ă© inevitável como necessária para as empresas pois confronta o medo e o desejo, o limite e a possibilidade, a perda e o ganho. SĂł se torna incoerĂŞncia para quem nĂŁo quer, ou nĂŁo consegue, enfrentá-la.      A empresa competitiva, numa economia cada vez mais globalizada, procura fazer de suas contradições internas, já que inevitáveis, um instrumento de ação mercadolĂłgica. Preocupa-se com o desenvolvimento da capacidade de trabalhá-las produtivamente, transformando as forças opostas em mecanismos de avaliação dos ganhos e dos riscos de suas ações mais ousadas. Isto, se bem feito, permite a conquista consequente de novas fronteiras.

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Sobreviver no mar

                  Os dois anos de Plano Real, superpostos aos quatros anos de abertura da economia do paĂ­s, tĂŞm obrigado as empresas brasileiras (e, pela ausĂŞncia de polĂ­ticas pĂşblicas regionais consistentes, as nordestinas em particular) a passarem pela maior “revolução cultural” de sua histĂłria.     Uma informação publicada pela Revista Exame de 03.07.96, ilustra bem esta situação: “com um nĂşmero menor de pessoas empregadas, a economia consegue produzir hoje 31% mais que há quatro anos”.     Para que este aumento de produtividade fosse possĂ­vel, muitas empresas tiveram que se ajustar drasticamente, algumas nĂŁo sobreviveram, outras tiveram que mudar de mĂŁos e muita gente perdeu o emprego formal (ainda que quem se manteve empregado tenha aumentado seu rendimento).     NĂŁo precisaria ser tĂŁo dramático se o Governo Federal fosse mais conseqĂĽente em sua polĂ­tica de desenvolvimento.     Entretanto, isto nĂŁo se deu e o fato objetivo, hoje, Ă© que as projeções com as quais o Governo parece trabalhar (ver Conjuntura & TendĂŞncias, nÂş 75) sinalizam para um rumo, nos prĂłximos anos, nĂŁo muito diferente do anterior.     Para sobreviver no “mar” e crescer num cenário como o projetado, as empresas terĂŁo que continuar investindo na profissionalização da gestĂŁo, na redução dos custos, no incentivo Ă  produtividade, na qualidade dos produtos, na “sintonia fina” com os clientes e no monitoramento atento da concorrĂŞncia. Š

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O cenário argentino

     No dia primeiro de julho de 1994, o Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, lançava o plano de estabilização econĂ´mica de maior sucesso da histĂłria do Brasil porque baixou uma inflação crĂ´nica de 30% ao mĂŞs para taxas que permanecem prĂłximas de 1%, dois anos depois.      A lĂłgica do plano era: “ancorar” o real ao dĂłlar (âncora cambial), de modo a expor os preços internos Ă  concorrĂŞncia dos preços internacionais, enquanto nĂŁo se faziam as reformas constitucionais (previdenciária, administrativa e tributária) que possibilitassem o equilĂ­brio definitivo do orçamento e mudassem a sustentação do plano para a âncora fiscal.      Ocorre que, com a crise cambial do MĂ©xico em dezembro/94, a equipe econĂ´mica viu-se obrigada a aumentar de forma cavalar os juros internos para evitar a fuga de dĂłlares e nĂŁo transformar em isopor o lastro da âncora em vigor (as reservas cambiais). Com isso, foi lançada a segunda âncora do plano (âncora monetária).      Seguiu-se uma grande quebradeira de empresas e bancos sem que, neste meio tempo, as reformas estruturais avançassem um milĂ­metro sequer no Congresso.      Dois anos depois, o governo dá sinais de que mudou de estratĂ©gia, abandonou as reformas no Congresso e parte para potencializar o Ăşnico trunfo polĂ­tico que de fato tem: a inflação baixa. Para isso, vai lançar mĂŁo das reformas “infraconstitucionais” e já começou com um corte violento no orçamento em vigor para segurar o dĂ©ficit pĂşblico.      As recentes projeções do Banco Central, com as quais o presidente trabalha, apontam a continuidade da queda da inflação com base na âncora cambial.           Moral da histĂłria: tudo leva a crer que o governo vai radicalizar aquele que seria o seu cenário intermediário, transformando-o em cenário principal atĂ© o fim do atual mandato presidencial, para chegar no ano eleitoral de 98 com a inflação literalmente derrubada e o campo preparado para a reeleição do presidente. É o Cenário Argentino.      Nele, a estabilização definitiva, com o lastro da âncora fiscal, fica adiada para o prĂłximo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Isto Ă©, se as variáveis-chave permanecerem precariamente equilibradas, como pretendido.      AtĂ© lá, as empresas terĂŁo de continuar convivendo com praticamente as mesmas variáveis relevantes de hoje: juros altos, ainda que em declĂ­nio, crescimento moderado da economia, câmbio valorizado, crĂ©dito restrito e caro, ausĂŞncia de polĂ­tica regional, concorrĂŞncia feroz, aumento da “dĂ­vida social”, fortĂ­ssima pressĂŁo de custos, preços estabilizados.      O mar, portanto, ao que tudo indica, vai continuar revolto e mais cheio de perigos do que talvez fosse necessário nos prĂłximos anos do Plano Real.

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Querer ser o que nĂŁo pode

    Tem-se falado muito sobre a “passividade”, a “falta de agressividade”, a “timidez”, a “falta de grito”, dos pernambucanos na briga por verbas, tratamento privilegiado, captação de investimentos, refinaria, montadora etc, etc.      E, nesses comentários, Ă© inevitável a comparação com os baianos e com os cearenses que seriam, por suposto, mais “agressivos” quando tratam dos interesses dos seus estados. Sobretudo os baianos que nĂŁo hesitam em tentar “ganhar no grito”, sempre.      Se, por um lado, Ă© evidente que esse assunto nĂŁo se esgota em comentários simplistas e envolve uma vastĂ­ssima discussĂŁo psicossocial-antropolĂłgica do tipo: “por que os pernambucanos sĂŁo o que sĂŁo?”; por outro, como tentativa de contribuição ao debate, cabem algumas considerações sobre fatos recentes.      Com o fracasso da reforma da previdĂŞncia, o governo federal parece que resolveu mudar de estratĂ©gia e partir logo para promover um corte brutal no Orçamento da UniĂŁo, prejudicando, com isso, principalmente, o Nordeste e, em particular, Pernambuco.      Em meio Ă s articulações que se seguiram, a Folha de SĂŁo Paulo publicou, em 15.06.96, o comentário reproduzido a seguir.      Independente do mĂ©rito da questĂŁo ou dos resultados práticos dessa ação especĂ­fica, Ă© interessante notar a visĂŁo “externa” sobre os pernambucanos, comparados aos mineiros. O comentário coincide com a publicação de uma vasta reportagem, na Revista ISTOÉ de 12.06.96, sobre Minas Gerais, considerada a “Trilha do Capital.”      Sobre o assunto, algumas questões podem ser formuladas: vale a pena tentar ser o que nĂŁo se pode para conseguir os mesmos supostos “resultados” que outros “atingem” porque sĂŁo o que sĂŁo? NĂŁo seria mais adequado, do ponto de vista de marketing, procurar transformar em vantagens competitivas as caracterĂ­sticas prĂłprias, transformando-as em referĂŞncias de identificação positiva?      SĂŁo questões estimuladoras de um bom debate. Existe uma mĂşsica que diz: “Pernambuco tem uma dança que nenhuma terra tem”. NĂŁo parece mau, tambĂ©m, ter um jeito de lidar com o desenvolvimento que seja eficaz, justamente porque Ă© o “jeito que nenhuma terra tem”, ainda que, com certeza, menos frenĂ©tico que a dança.      O sucesso já foi definido como sendo: “conseguir mercado para aquilo que se gosta de fazer.” Talvez o segredo do desenvolvimento consista, justamente, em gosta de ser de Pernambuco.

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Intranet: o prĂłximo passo

                              Com isso, alĂ©m da revolução que está provocando nas comunicações empresariais externas, a Internet deflagrou uma outra revolução conceitual que atinge as comunicações empresariais internas.     A rigor, toda empresa que tem uma rede interna de computadores já “pagou” (na expressĂŁo de Bill Gates) pelo hardware e pelo software básico de sua intranet. Resta assumir o padrĂŁo www, onde qualquer diretĂłrio pode ser visto como uma página da Web.     Claro que isso nĂŁo Ă© fácil pois requer uma mudança cultural de certo porte. Bate de frente com a visĂŁo da informática tradicional que defende o tratamento unificado das bases de dados da empresa por intermĂ©dio de grandes sistemas corporativos.     A realidade empresarial tem mostrado, na prática, a grande dificuldade de se conseguir uma unidade corporativa proporcionada por sistemas abrangentes. Eles terminam incorporando tantas exceções que se transformam em grandes colchas de retalhos, desastrosas, caras e muito difĂ­ceis de manter.     A sacada que parece genial no conceito de intranet, por herança da Internet, Ă© reconhecer que sua força está, justamente, em assumir a natureza redundante e quase caĂłtica das informações empresariais (já se disse que “a força da Internet está no caos”), procurando dar-lhes nĂŁo uma “disciplina” impossĂ­vel mas, sim, a unidade virtual possĂ­vel. Sobretudo, a facilidade de acesso, sem grandes custos de desenvolvimento.     O que está possibilitando essa revolução, que traz para o interior das empresas o mesmo modelo de páginas coloridas usado na seção multimĂ­dia da Internet, sĂŁo os “browsers”, softwares de navegação que estĂŁo provocando a briga mais acirrada do momento no setor: Netscape (com o Navigator, usado por 85% dos usuários) contra a Microsoft (com o Explorer que se propõe a desbancar o Navigator).     O importante Ă© que as empresas, Ă s voltas com seus processos ininterruptos de informatização, atentem para a grande mudança conceitual que se esboça. NĂŁo se trata de nenhuma solução mágica, como Ă s vezes se querem vender as novidades nessa área, mas Ă© uma mudança para melhor que certamente facilitará a vida de quem trabalha e de quem precisa de informações rápidas e de qualidade para decidir.

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Brasil 97 = México 94?

O economista Rudiger Dornbusch causou celeuma no mercado financeiro internacional (com direito a queda da cotação do dĂłlar em Nova York, dos tĂ­tulos da dĂ­vida externa brasileira e das Bolsas de Valores no Brasil) ao declarar, na 42ÂŞ ConferĂŞncia Monetária Internacional, segunda-feira, 02.06.96, em Sidney, Autrália, que um colapso financeiro no Brasil Ă© questĂŁo de tempo porque o real está supervalorizado (30% a 40% em relação ao dĂłlar) e o dĂ©ficit pĂşblico está fora de controle. Ou seja, o Brasil de amanhĂŁ Ă© o MĂ©xico de ontem. Rudiger Dornbusch Ă© um economista alemĂŁo, doutor pela universidade de Chicago (o templo mundial do monetarismo) e professor do legendário MIT (Massachusetts Institute of Tecnology, em Boston). Foi tambĂ©m, professor visitante da PUC-RIO e, na Ă©poca, casou-se com uma brasileira. A importância dada Ă  sua declaração deve-se ao fato de ser atribuĂ­da a ele, quando era consultor do Presidente Bill Clinton, a previsĂŁo sobre a quebra do MĂ©xico, ocorrida em dezembro de 1994. Em março, Dornbusch já havia causado polĂŞmica quando declarou, aqui no Brasil: “qualquer polĂ­tica incompatĂ­vel com um crescimento de 7%, em mĂ©dia, Ă© errada. Um paĂ­s que diz que nĂŁo pode crescer mais do que 3% está sendo mal administrado (…) quem quer que diga que Ă© porque ‘estamos lutando contra a inflação’, deve ser mandado para o zoolĂłgico” (Folha de SĂŁo Paulo, 31.03.96). As reações Ă s declarações de colapso cambial foram inĂşmeras, a começar pelo Ministro Malan que disse: “as declarações de Rudiger que sĂŁo corretas (ancorar a estabilidade em juros altos e câmbio defasado, sem ajuste fiscal adequado, Ă© suicĂ­dio) nĂŁo sĂŁo novas; e as que sĂŁo novas (defasagem cambial do dĂłlar frente ao real de 40%) nĂŁo sĂŁo corretas”. A conclusĂŁo do episĂłdio nĂŁo Ă© nova: continuamos estacionados no mesmo patamar. O tempo para ajuste fiscal definitivo, Ăşnico lastro firme da estabilização, está passando sem que os avanços sejam significativos. Mas ainda dá prá fazer.

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Acordo sim, consenso nunca

        Há um mito infelizmente bastante disseminado, tanto na realidade empresarial quanto na vida pĂşblica, de que Ă© fundamental perseguir o consenso.     Quer dizer, cada um deve ser convencido, aceitar e concordar com a decisĂŁo para que ela tenha “legitimidade.”       Acontece que o consenso, na nossa realidade cultural, Ă© impossĂ­vel. Portanto, procurá-lo Ă© perda de tempo e encontrá-lo Ă©, quando muito, uma ilusĂŁo apenas passageira.      A busca do consenso na realidade empresarial pretende esquecer o conflito ao mesmo tempo em que superestima a cooperação.      É importante considerar que as empresas sĂŁo um espaço privilegiado de exercĂ­cio do jogo da cooperação e do conflito.      Cooperação para somar competĂŞncias complementares (de pessoas, grupos, unidades administrativas, nĂ­veis hierárquicos) e viabilizar os objetivos empresariais.      Conflito decorrente das diferenças (de interesses, valores, estilos de gestĂŁo, percepções, maneiras de fazer e de pensar), existentes entre pessoas, grupos, unidades administrativas, nĂ­veis hierárquicos…      O conflito Ă© condição inerente da vida humana e Ă© inevitável de acontecer sempre que duas ou mais partes interagem.         Já que nĂŁo pode ser evitado, o conflito e sua resolução podem e devem ser colocados a serviço do aperfeiçoamento empresarial.         Das várias abordagens para enfrentamento de conflitos, aquela que considera a negociação e o estabelecimento de acordos Ă© a mais produtiva.     AtravĂ©s dela, as partes envolvidas potencializam sua energia e criatividade, focam sua atenção na análise do problema, explicitam suas diferenças e semelhanças, desenham alternativas de solução e, finalmente, estabelecem acordos que vĂŁo significar compromissos consistentes e duradouros.        Na busca do acordo, trabalha-se com o que Ă© possĂ­vel. Na perseguição do consenso busca-se o ideal, o sonho de harmonia que nada tem a ver com a realidade, sobretudo a realidade empresarial.     Superar a ilusĂŁo de soluções de consenso e, no outro extremo, a tentação de práticas autoritárias ou de evitação de conflitos Ă© uma exigĂŞncia da competitividade.         Entre demorar, em excesso, procurando o consenso impossĂ­vel e ser rápido demais em decisões autoritárias que nĂŁo se efetivarĂŁo, há o espaço possĂ­vel da construção de acordos que permitam avançar.

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As empresas e a internet

                A Internet explodiu no Brasil, acompanhando a tendĂŞncia mundial. Hoje, estima-se em cerca de 200 mil o nĂşmero de brasileiros “plugadas” na rede (contra 80 mil há um ano atrás e uma estimativa de 1 milhĂŁo daqui a um ano).     No mundo todo, este nĂşmero chega a 40 milhões dos quais, 28 milhões sĂł nos EUA.     A estrela principal de todo esse crescimento Ă© a Word Wide Web, ou WWW, ou simplesmente Web, que está sendo considerada o novo meio global de informação e que pode se tornar a mĂ­dia dominante dentro de alguns anos, desbancando as outras mĂ­dias tradicionais. A Web Ă© o local da Internet onde estĂŁo se instalando as chamadas Home-pages.     Em sete meses, o nĂşmero de Home-pages brasileiras passou de 800 para 4.100, das quais mais da metade sĂŁo de empresas oferecendo os seus produtos.     Nos EUA, estima-se que o comĂ©rcio via Internet movimentou em 95 US$ 500 milhões. No Brasil, os valores ainda sĂŁo insignificantes.     Entretanto, a tendĂŞncia de crescimento explosivo parece inevitável (sĂł em termos de computadores pessoais estima-se que o mercado saltará no Brasil de 1 milhĂŁo de unidades por ano, em 95, para 4 milhões no ano 2.000).     Embora nĂŁo se saiba ao certo como se comportará essa nova e desconhecida mĂ­dia, as empresas que nĂŁo começarem logo a mexer com ela, para aprender, talvez fiquem com dificuldade de recuperar o tempo perdido depois. Principalmente aquelas, de acordo com os especialistas, que lidem com serviços financeiros e comĂ©rcio (varejo e atacado), sejam geradoras de informações, vendam para consumidores de renda alta ou sejam espalhadas geograficamente (Revista Exame, 17.01.96).     De qualquer modo, diante desta selva digital que nĂŁo pára de crescer, o importante Ă© nĂŁo ficar parado e, quem nĂŁo iniciou ainda, começar a ensaiar a inclusĂŁo da empresa na rede para ir conhecendo e fazendo-se conhecer. Como utilizar melhor os recursos disponĂ­veis e por descobrir, sĂł o tempo irá dizer.     Um exemplo atual: o Bradesco transformou-se desde sexta-feira, 31.05.96, no primeiro banco brasileiro a possibilitar aos seus clientes a movimentação de suas contas correntes e investimentos por meio da Internet.

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