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Do planejamento Ă  gestĂŁo

“… nĂŁo há nenhum mistĂ©rio em formular uma estratĂ©gia. O problema Ă© fazĂŞ-la funcionar”. Igor Ansoff em “A Nova EstratĂ©gia Empresarial”. Editoras Atlas, SĂŁo Paulo     Um processo de planejamento estratĂ©gico, como o descrito em sua essĂŞncia nos trĂŞs Ăşltimos nĂşmeros de Conjuntura&TendĂŞncias, ajuda a “arrumar a cabeça” e a organizar melhor as intenções estratĂ©gicas mas, por si sĂł, nĂŁo assegura nada. Se nĂŁo for seguido de uma ação sistemática e obstinada de acompanhamento e atualização do que foi planejado, corre o risco de produzir apenas papel.     Afinal de contas, mesmo sendo um excelente instrumento para discussĂŁo e formulação estratrĂ©gica na empresa, o planejamento estratĂ©gico nĂŁo Ă© pensamento estratĂ©gico, como lembra Henry Mintzberg, consagrado teĂłrico sobre o assunto.     A disseminação do pensamento estratĂ©gico pode ser iniciada e reforçada pelo planejamento estratĂ©gico mas sĂł tem chance de se instalar como estilo se for atravĂ©s de uma monitoração persistente e eficaz.     A monitoração (acompanhamento e atualização sistemáticos do planejado) constitui-se, portanto, numa 4ÂŞ etapa do processo, embora vá alĂ©m dele e funcione como seu alimentador permanente.     A experiĂŞncia tem demonstrado que as formas de monitoração mais eficazes sĂŁo aquelas que conjugam reuniões semanais da diretoria da empresa, para o acompanhamento da agenda estratĂ©gica produzida na 3ÂŞ etapa (programação das ações), com reuniões mensais de um colegiado de gestĂŁo (diretoria + gerentes responsáveis pelas áreas funcionais e pelas unidades de negĂłcio) para acompanhamento do desempenho (operacional e financeiro) do mĂŞs anterior e atualização da agenda estratĂ©gica estabelecida.     Um processo tĂ­pico de monitoração estratĂ©gica pode ser representado conforme o diagrama reproduzido abaixo:      Ao envolver mensalmente o mesmo grupo que participou do planejamento estratĂ©gico (o colegiado de gestĂŁo) a monitoração deve promover o ajuste e a atualização do que foi estabelecido, se a realidade mostrar necessário.     Isto, junto com as reuniões semanais da diretoria, instala o que se chama de gestĂŁo estratĂ©gica, fundamental para a condução da empresa face Ă s exigĂŞncias do competitivo mundo atual dos negĂłcios, com produção constante de novas ameaças e oportunidades.

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A programação das ações

    Uma vez esboçado o rumo estratĂ©gico que se pretende tomar, ou seja, definidas as prioridades (o que nĂŁo pode deixar de ser feito, considerando a avaliação realizada dos ambientes interno e externo), Ă© hora de fazer a programação das ações, a terceira etapa do eixo básico do processo de planejamento estratĂ©gico.    Programar ações significa responder a algumas perguntas fundamentais para que a estratĂ©gia esboçada possa ampliar suas chances de ser bem sucedida.     Existe uma expressĂŁo (5W 1H), citada por Vicente Falconi Campos, em seu livro “GerĂŞncia da Qualidade Total”, Fundação Cristino Otoni, que enuncia, em lĂ­ngua inglesa, uma sĂ©rie de perguntas que pode ser usada como ferramenta de programação. Os 5W sĂŁo: WHAT, WHERE, WHY, WHEN E WHO. O 1H Ă©: HOW.     Definido o que nĂŁo pode deixar de ser feito (as prioridades que configuram a estratĂ©gia que se pretende adotar), Ă© indispensável estabelecer, no mĂ­nimo, como fazer (as ações necessárias), quem vai fazer (os responsáveis por sua realização), quando vai ser feito (os prazos de realização) e quanto vai custar (os recursos financeiros necessários).     O Quadro abaixo ilustra o que, uma vez elaborado, pode ser considerado um programa de ação para executar uma determinada estratĂ©gia, com base na resposta de algumas dessas perguntas fundamentais.     Holyfield depois de ter feito a sua avaliação estratĂ©gica e definido as prioridades que configuravam a estratĂ©gia básica para sua luta com Mike Tyson (evitar ser nocauteado nos minutos inicias, quando a potĂŞncia do adversário era maior, cansá-lo e partir para o ataque, tentando, se possĂ­vel, o nocaute), certamente fez uma programação das ações indispensáveis Ă  execução dessa estratĂ©gia, com responsáveis, prazos e custos bem definidos.

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A definição das prioridades

“NĂŁo existe vento favorável para aquele que nĂŁo sabe para onde vai”. Citação atribuida ao filĂłsofo romano SĂŞneca por Michel Godet no seu livro “Prospective et planification StratĂ©gique”, Editora Economica, Paris     A segunda etapa do eixo básico do processo de planejamento estratĂ©gico Ă© a definição das prioridades. É nesse momento que se define o rumo que se deve tomar, levando-se em consideração a avaliação estratĂ©gica realizada (dos ambientes interno e externo).      Um procedimento que ajuda na definição das prioridades Ă© responder Ă  seguinte questĂŁo: o que nĂŁo pode deixar de ser feito pela empresa para fazer frente Ă s ameaças e Ă s fraquezas e para potencializar as oportunidades e as forças?     Ajuda mais ainda montar uma matriz de cruzamento das ameaças e das oportunidades detectadas no ambiente externo com as fraquezas e as forças detectadas no ambiente interno. Os cruzamentos mais interessantes de fazer sĂŁo os representados no gráfico abaixo.     O cruzamento das ameaças externas com as fraquezas internas caracteriza o desafio da sobrevivĂŞncia da empresa, enquanto o cruzamento das oportunidades externas com as forças internas caracteriza a capacidade de ataque. O fundamental Ă© perguntar o que nĂŁo pode deixar de ser feito pela empresa, tanto para garantir sua sobrevivĂŞncia, quanto para possibilitar uma ação ofensiva eficaz (de ataque).      No planejamento da luta com Mike Tyson, Holyfield tinha como principal ameaça a agressividade inicial do adversário e como principal fraqueza a sua prĂłpria potĂŞncia inferior. A principal oportunidade era o fĂ´lego curto de Tyson e a principal força a sua maior resistĂŞncia pessoal para uma luta longa. Ao se perguntar sobre o que nĂŁo podia deixar de fazer diante deste quadro, obteve como prioridade de sobrevivĂŞncia evitar que Tyson o nocauteasse nos primeiros assaltos. Já a prioridade de ataque era, conseguindo sobreviver aos primeiros assaltos, minar pouco a pouco a resistĂŞncia do adversário, manter a defensiva e tentar o nocaute no momento mais oportuno. O resultado final provou que a sua estratĂ©gia foi melhor concebida e executada.     No prĂłximo nĂşmero, Conjuntura & TendĂŞncias tratará da terceira etapa do eixo básico do processo, a programação das ações.

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Novo modelo para o blog

A estratĂ©gia deve instrumentalizar a empresa mais para fazer as coisas certas (ser eficaz) do que para fazer certo as coisas (ser eficiente). Formulação construĂ­da a partir das observações de Granham J. Hooley e Jonh Saunders no livro “Posicionamento Competitivo”, Editora Makron Books.     Holyfield, na sua inesperada vitĂłria sobre Mike Tyson, procurou fazer as coisas certas (Ver Conjuntura & TendĂŞncias nĂşmero 95). Para isso, formulou e executou, cuidadosamente, uma boa estratĂ©gia. Segundo a revista Veja de 20.11.96, ele fez esse trabalho de preparação junto com uma equipe multidisciplinar da qual faziam parte: um treinador de boxe, um preparador fĂ­sico, um nutricionista, um mĂ©dico, um psicĂłlogo e uma professora de balĂ© de 76 anos, encarregada de cuidar da elasticidade de seus mĂşsculos. Ele seguiu um processo que quando aplicado Ă s empresas chama-se de planejamento estratĂ©gico.     O planejamento estratĂ©gico, enquanto instrumento de formulação de estratĂ©gias empresariais, já tem mais de 30 anos de inventado. Apesar disso e de já ter sido tema de milhares de livros e aperfeiçoamentos tĂ©cnicos, continua sendo uma excelente ferramenta da gestĂŁo empresarial. Embora possa ser bastante incrementado por atividades complementares, tem um eixo básico composto de 3 etapas principais.     A avaliação estratĂ©gica consiste na enumeração dos principais aspectos facilitadores (oportunidades), e dificultadores (ameaças), encontrados no ambiente externo, bem como na enumeração dos aspectos facilitadores (forças) e dificultadores (fraquezas), encontrados no ambiente interno da empresa, que afetam o cumprimento da sua missĂŁo ou o desempenho do seu negĂłcio, hoje e no futuro.     O exercĂ­cio de montagem deste quadro de avaliação estratĂ©gica Ă© tanto mais produtivo quanto mais envolver os principais responsáveis pelas decisões na empresa. A rigor, ele deve ser feito em reuniĂŁo especĂ­fica do colegiado de gestĂŁo. Depois que cada integrante preencher individualmente a matriz, deve-se procurar montar a sĂ­ntese que represente a avaliação do colegiado.     Na construção desta sĂ­ntese nĂŁo Ă© recomendável que se procure o consenso mas, sim, o registro dos pontos, pela ordem de frequĂŞncia com que aparecem.     A prática tem demonstrado que a confecção deste quadro (que deve ter, no máximo, 3 indicações de cada categoria), como resultado de uma construção coletiva, Ă© de grande importância para a empresa na medida em que fornece uma visĂŁo compartilhada dos pontos positivos e negativos, internos e externos Ă  organização.     É justamente essa visĂŁo compartilhada que permite a definição das prioridades (o que nĂŁo pode deixar de ser feito), em bases comuns e, portanto, mais consistentes.     Embora a avaliação estratĂ©gica possa ser feita a qualquer tempo, o recomendável Ă© que seja realizada pelo menos uma vez ao ano para planejamento do exercĂ­cio seguinte.      Para as empresas, no ambiente cada vez mais rapidamente mutante dos negĂłcios, Ă© de grande importância, do ponto de vista da gestĂŁo eficaz, o estabelecimento de práticas sistemáticas de planejamento estratĂ©gico. Para quem já pratica, Ă© sempre possĂ­vel qualificar mais um pouco, para quem nĂŁo pratica, Ă© preferĂ­vel começar com um mĂ­nimo do que ficar sem fazer.     Os dois prĂłximos nĂşmeros de Conjuntura & TendĂŞncias dedicar-se-ĂŁo Ă s outras duas etapas do eixo básico do planejamento estratĂ©gico.

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A avaliação estratégica

A estratĂ©gia deve instrumentalizar a empresa mais para fazer as coisas certas (ser eficaz) do que para fazer certo as coisas (ser eficiente). Formulação construĂ­da a partir das observações de Granham J. Hooley e Jonh Saunders no livro “Posicionamento Competitivo”, Editora Makron Books          Holyfield, na sua inesperada vitĂłria sobre Mike Tyson, procurou fazer as coisas certas (Ver Conjuntura & TendĂŞncias nĂşmero 95). Para isso, formulou e executou, cuidadosamente, uma boa estratĂ©gia. Segundo a revista Veja de 20.11.96, ele fez esse trabalho de preparação junto com uma equipe multidisciplinar da qual faziam parte: um treinador de boxe, um preparador fĂ­sico, um nutricionista, um mĂ©dico, um psicĂłlogo e uma professora de balĂ© de 76 anos, encarregada de cuidar da elasticidade de seus mĂşsculos. Ele seguiu um processo que quando aplicado Ă s empresas chama-se de planejamento estratĂ©gico.     O planejamento estratĂ©gico, enquanto instrumento de formulação de estratĂ©gias empresariais, já tem mais de 30 anos de inventado. Apesar disso e de já ter sido tema de milhares de livros e aperfeiçoamentos tĂ©cnicos, continua sendo uma excelente ferramenta da gestĂŁo empresarial. Embora possa ser bastante incrementado por atividades complementares, tem um eixo básico composto de 3 etapas principais.    A avaliação estratĂ©gica consiste na enumeração dos principais aspectos facilitadores (oportunidades), e dificultadores (ameaças), encontrados no ambiente externo, bem como na enumeração dos aspectos facilitadores (forças) e dificultadores (fraquezas), encontrados no ambiente interno da empresa, que afetam o cumprimento da sua missĂŁo ou o desempenho do seu negĂłcio, hoje e no futuro.     O exercĂ­cio de montagem deste quadro de avaliação estratĂ©gica Ă© tanto mais produtivo quanto mais envolver os principais responsáveis pelas decisões na empresa. A rigor, ele deve ser feito em reuniĂŁo especĂ­fica do colegiado de gestĂŁo. Depois que cada integrante preencher individualmente a matriz, deve-se procurar montar a sĂ­ntese que represente a avaliação do colegiado.        Na construção desta sĂ­ntese nĂŁo Ă© recomendável que se procure o consenso mas, sim, o registro dos pontos, pela ordem de frequĂŞncia com que aparecem.     A prática tem demonstrado que a confecção deste quadro (que deve ter, no máximo, 3 indicações de cada categoria), como resultado de uma construção coletiva, Ă© de grande importância para a empresa na medida em que fornece uma visĂŁo compartilhada dos pontos positivos e negativos, internos e externos Ă  organização.     É justamente essa visĂŁo compartilhada que permite a definição das prioridades (o que nĂŁo pode deixar de ser feito), em bases comuns e, portanto, mais consistentes.     Embora a avaliação estratĂ©gica possa ser feita a qualquer tempo, o recomendável Ă© que seja realizada pelo menos uma vez ao ano para planejamento do exercĂ­cio seguinte.     Para as empresas, no ambiente cada vez mais rapidamente mutante dos negĂłcios, Ă© de grande importância, do ponto de vista da gestĂŁo eficaz, o estabelecimento de práticas sistemáticas de planejamento estratĂ©gico. Para quem já pratica, Ă© sempre possĂ­vel qualificar mais um pouco, para quem nĂŁo pratica, Ă© preferĂ­vel começar com um mĂ­nimo do que ficar sem fazer.     Os dois prĂłximos nĂşmeros de Conjuntura & TendĂŞncias dedicar-se-ĂŁo Ă s outras duas etapas do eixo básico do planejamento estratĂ©gico.  Š  

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A vitĂłria do melhor preparado

                     Era de 12 para 1 a proporção das apostas em Las Vegas a favor de Mike Tyson na semana anterior Ă  luta com o desafiante Evander Holyfield pelo tĂ­tulo dos pesados da Associação Mundial de Box. No inĂ­cio da luta, sábado, 09.11.96, a proporção chegou a 25 para 1. AlĂ©m disso, 47 dos 48 repĂłrteres consultados em pesquisa do Las Vegas Review – Journal previam a vitĂłria de Tyson.     No ringue, a histĂłria foi outra. Tyson foi derrotado por nocaute tĂ©cnico no 11Âş round, dos 12 previstos. NĂŁo foi uma derrota qualquer. Quem viu a luta, assistiu um fato inĂ©dito: Mike Tyson terminar paralisado e sangrando, a primeira vez na carreira profissional deste lutador de 30 anos, com 46 lutas, 45 vitĂłrias, 39 por nocaute.     Holyfield dominou a luta desde o 2Âş round, no 6Âş derrubou Tyson, no 10Âş desferiu-lhe uma seqĂĽĂŞncia de 14 golpes que o levou Ă s cordas e no 11Âş, depois de 13 golpes seguidos, deixou Tyson sem reação, o que obrigou o juiz a declarar a derrota tĂ©cnica.     A grande surpresa foi ver o lutador com mais potĂŞncia, maior velocidade e um cartel muito melhor perder para um alguĂ©m aparentemente inferior. O que aconteceu?     Holyfield passou meses revendo todas as lutas de Tyson, estudando seus pontos fracos e planejando como usar melhor seus prĂłprios pontos fortes. Descobriu, por exemplo, que Tyson ganhou a maioria de suas lutas nos primeiros assaltos, e muitas, nos primeiros minutos. Era um corredor de 100 metros rasos, nĂŁo um maratonista. Quem assistiu a luta viu o que ele fez para neutralizar essa vantagem inicial: nĂŁo permitiu que Tyson tivesse a distância de que precisava para desferir seus golpes mortais. Depois, usou sua estratĂ©gia para minar o fĂ´lego curto do adversário.     Visto de outro modo: Holyfield elaborou e executou uma estratĂ©gia mais eficaz.     Fazendo uma analogia da luta com a realidade dos negĂłcios, Ă© possĂ­vel comparar Holyfield a uma empresa que sabe dos seus pontos vulneráveis e tem na preparação e no planejamento as Ăşnicas alternativas para conquistar a vitĂłria. Na preparação que consiste no conhecimento prĂłprio e do concorrente e na definição cuidadosa da estratĂ©gia de combate.     No atual ambiente competitivo, o maior pode terminar sendo surpreendido justamente por acreditar que suas vantagens sĂŁo sufucientes para garantir a perpetuação de sua liderança.     Os prĂłximos nĂşmeros de Conjuntura & TendĂŞncias serĂŁo dedicados ao Planejamento EstratĂ©gico.

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O tempo do executivo

         O tempo Ă© o recurso mais escasso de que dispõe o executivo. Aproveitá-lo da melhor forma possĂ­vel Ă©, portanto, uma questĂŁo vital. Muita coisa já se disse sobre isto e vários livros já foram escritos sobre o assunto. Entretanto, a observação atenta da realidade empresarial (e de como as pessoas que tĂŞm responsabilidade executiva atuam) parece indicar que, em relação a esse tema, nĂŁo existe receita que possa ser seguida com garantia de sucesso por qualquer interessado.     De acordo com uma pesquisa realizada por Jonh Kotter, da Universidade de Harvard, nas empresas americanas mais bem sucedidas, a maior parte do tempo diário do executivo (75%) Ă© dispendido em contatos e conversas com outras pessoas. O resto do tempo (25%) Ă© passado sĂł, principalmente em deslocamentos pela cidade ou em viagens.     Um dado curioso dessa pesquisa, divulgada na dĂ©cada de 80, Ă© a constatação de que uma percentagem significativa das conversas nada tinham a ver com temas relevantes para a empresa. O resto era dedicado a temas relevantes mas dentro de um contexto nĂŁo-estruturado formalmente (Bernardo Kliksberg, “A GerĂŞncia na DĂ©cada de 90”, RAP 1/88, Fundação GetĂşlio Vargas, Rio de Janeiro).     A conclusĂŁo a que se pode chegar a partir desta constatação Ă© que o executivo bem sucedido utiliza as conversas como: matĂ©ria prima de sua atividade de coordenação; veĂ­culo privilegiado para repassar suas idĂ©ias e orientações (falar do que Ă© essencial no meio de uma conversa recheada de assuntos nĂŁo essenciais); instrumento de formação de redes de contatos para dar fluidez Ă s decisões; e fontes nĂŁo oficiais e ricas de captação de informações.     É claro que nada disso se faz tranquilamente ou com folga de tempo. Estudos recentes indicam que o executivo mĂ©dio chega a ter cerca de 32 horas de trabalho atrasado em cima de sua mesa (Exame Vip, outubro de 1996, citando conclusões da empresa Priority Management).     Como lidar, entĂŁo, com essa permanente demanda de tempo, sempre maior do que a oferta? Bill Gates, presidente da Microsoft, confessa, em uma das suas recentes colunas publicadas na imprensa, que trabalha mais de 10 horas por dia, de segunda a sexta, alĂ©m de outras 10 horas, mais ou menos, nos finais de semana. Diz que gosta de dormir 7 horas por noite porque precisa disso para se manter atento, criativo e esperto, embora inveje quem consegue dormir apenas 3 ou 4 horas porque essas pessoas tĂŞm muito mais tempo para trabalhar, aprender e se divertir. Para dar conta do que tem que fazer, tenta esticar as horas do dia praticando “multitasking” (desempenho de várias tarefas ao mesmo tempo) e cita que está, no momento, aprendendo a ler jornal e a se exercitar na bicicleta ergomĂ©trica de uma vez sĂł. Š

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Atuar no essencial e inovar

    “A Ăşnica vantagem competitiva sustentável provĂ©m de se inovar mais do que os concorrentes.” James Morse, consultor americano, citado por Tom Peters no Livro “Tempos Loucos Exigem Organizações Malucas”, Editora Habra      Inovar mais do que os concorrentes exige dedicação intensa ao que Ă© essencial do negĂłcio que se toca. Dedicação ao que modernamente se chama de “core business”, a natureza principal, “o coração duro” do negĂłcio.      Muitas empresas em tempos recentes, antes da maior abertura da economia do paĂ­s Ă  concorrĂŞncia internacional, se concentraram em atividades acessĂłrias, nĂŁo essenciais Ă  natureza dos seus negĂłcios. Isso prejudicou e continua prejudicando muita gente que terminou perdendo o foco de sua ação. Hoje, observa-se uma espĂ©cie de volta Ă  competĂŞncia essencial (“core competence”), ao que se sabe fazer bem, deixando o resto de lado ou terceirizando o que for insumo importante. O que nĂŁo quer dizer que a empresa nĂŁo possa diversificar suas atividades mas, sim, que cada negĂłcio deve ser administrado de modo gerencialmente transparente e, tanto quanto possĂ­vel, financeiramente independente.      Exemplo marcante disto Ă© a fábrica de Ă´nibus e caminhões montados pela Volkswagem na cidade de Rezende (RJ), já funcionando em fase experimental (ver a respeito Conjuntura & TendĂŞncias nÂş 40). Lá, está sendo implantado, de modo pioneiro no mundo, o conceito de consĂłrcio modular que, na prática, terceiriza a linha de montagem, trazendo o fornecedor para dentro da fábrica. O negĂłcio essencial da Volks, nesta fábrica, Ă© a coordenação do processo produtivo, já que nĂŁo tem nenhum dos seus 200 empregados (a fábrica tem 1500 trabalhadores) na linha de montagem. De acordo com a revista Veja de 23.10.96, os custos de produção cairĂŁo entre 15% e 20% e o tempo de montagem será 10% menor.      Outro exemplo desta concentração no essencial do negĂłcio, que permite a inovação indispensável Ă  superação da concorrĂŞncia, Ă© o da Samambaia Empreendimentos AgrĂ­colas.     Nos dois casos, da Volks e da Samambaia, o que está sendo feito Ă© a concentração no essencial e a inovação, quebrando paradigmas arraigados (montadora tem que montar, empresa agrĂ­cola tem que ter terra), com boas perspectivas de sucesso.    

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A receita de Washington

    A cidade de Washington, por ser a capital dos EUA, Ă© tambĂ©m o centro mundial das preocupações com os rumos do capitalismo e com a saĂşde das finanças internacionais. NĂŁo Ă© por acaso que lá estĂŁo instaladas as sedes do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BIRD) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), alĂ©m de outras instituições do tipo.     Em 1989, John Willianson, economista do Institute of International Economics de Washington, redigiu um documento contendo dez princĂ­pios que, segundo ele prĂłprio, procuravam sintetizar “o mĂ­nimo denominador comum” do que julgava fosse aceitável por todos em Washington sobre os rumos do ajustamento das economias latino-americanas (Folha de SĂŁo Paulo, 08.10.96). Esse decálogo ficou conhecido como o “Consenso de Washington”. Desde entĂŁo, o Consenso vem sendo acusado de ser os dez mandamentos do neo-liberalismo na AmĂ©rica Latina.     O fato Ă© que, passados seis anos do lançamento do manifesto e mais de dez de histĂłria dos planos de estabilização na AmĂ©rica Latina, Willianson redigiu uma nova versĂŁo e apresentou num seminário do BID no inĂ­cio de setembro passado.      Independente de se gostar ou nĂŁo do fato de instituições de Washington ficarem mandando recados e recomendando receitas para os outros, Ă© interessante notar a mudança de conteĂşdo da versĂŁo antiga para a atual. Enquanto em 89 a ĂŞnfase era na estabilização da economia, hoje parece ser na governabilidade pĂłs-estabilização. O recado parece ser este: nĂŁo adianta sĂł estabilizar, Ă© preciso garantir as condições para a continuidade. É justamente essa, a principal crĂ­tica que se faz, hoje, ao processo brasileiro.     Merece especial destaque o item 10. O problema da educação no Brasil Ă© tĂŁo gigantesco que a prĂłpria Confederação Nacional da IndĂşstria (CNI) acaba de fazer chegar ao Governo Federal o documento “Competitividade: Proposta dos Empresários para a Melhoria da Qualidade da Educação”, onde propõe que as empresas desenvolvam processos de educação continuada que incluam tanto a educação básica, quanto a profissional e a superior. Mas, isso já Ă© assunto para outro Conjuntura & TendĂŞncias.

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A espinha dorsal do estado

    Os indicadores disponíveis sobre o desempenho da economia de Pernambuco nas últimas três décadas não indicam estagnação ou decadência (ver a respeito no Conjuntura & Tendências número 90). Sinalizam, isto sim, um processo de transição de grande importância para o futuro do estado.     Setores tradicionais como o da agroindústria da cana-de-açúcar e o têxtil, por exemplo, estão perdendo espaço para outros mais dinâmicos como o da fruticultura irrigada e o da prestação de serviços especializados.     Uma das características mais marcantes deste processo de mudança é a que evidencia a consolidação de dois pólos extremos de dinamismo na geografia do estado. No litoral, a Região Metropolitana do Recife, a Zona da Mata e o Complexo-Industrial Portuário de Suape. No extremo oeste, Petrolina que polariza toda a ampla região irrigada do médio São Francisco, uma das de maior potencial produtivo do Brasil.     Garantir a articulação desses dois pólos extremos por intermédio de um eixo estratégico de desenvolvimento é uma das questões mais relevantes de Pernambuco no horizonte do próximo século.     A linha principal deste eixo, verdadeira espinha dorsal vertebradora do espaço geográfico do estado, é a Ferrovia Transnordestina cujo trecho Petrolina-Salgueiro, de 236 quilômetros (pontilhado na ilustração abaixo) está com sua construção interrompida desde 1991. O trecho Salgueiro-Recife, de 600 quilômetros encontra-se em estado de conservação ruim.                  Esta ferrovia é parte fundamental do corredor multimodal de transporte de 2.357 quilômetros que vai de Pirapora, em Minas Gerais, pela hidrovia do São Francisco, até Petrolina e, daí, por trilhos, até o Porto de Suape, barateando os custos de frete e tornando mais competitivos os produtos transportados. Segundo dados da Secretaria da Infraestrutura de Pernambuco, com R$ 1,00 por tonelada percorrem-se 24 quilômetros por rodovia, 107 quilômetros por ferrovia e 530 quilômetros por hidrovia.     De acordo com estimativas feitas, a plena operação deste complexo viário seria responsável pelo barateamento de 35% a 40% no preço do frete dos produtos transportados, beneficiando a fruticultura, o gesso do Araripe, o granito do Agreste, o milho para a avicultura e uma infinidade de produtos consumidos ou produzidos no interior do estado.     Apesar da importância capital que tem para o futuro de Pernambuco, todavia, a implantação deste eixo estratégico encontra-se, no presente, cercada de incertezas. A mais inquietante delas, no momento, diz respeito à privatização da chamada Malha Nordeste da Rede Ferroviária Federal, da qual o trecho pernambucano é parte integrante. Até o final de 1996, estará com a operação privatizada pelo regime de concessão de exploração toda a rede ferroviária do país, a excessão da Malha Nordeste que deve ser transferida em 1997. Não se sabe ainda em que condições. Há a idéia de licitar a conclusão do trecho Petrolina-Salgueiro, com recursos privados, em troca do direito de exploração por 30 anos.     A boa notícia é que o Governo Estadual firmou acordo com o Governo Federal para recuperação parcial do trecho Salgueiro-Recife e já está transportando por trem materiais da Celpe e da Compesa para o interior.     Discutir questões como esta e viabilizar soluções que contemplem as necessidades estratégicas do estado é condição essencial para um futuro viável. Debater e disseminar o conceito formulado pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Paulo Gustavo Cunha, do Pernambuco Século XXI, nos dias de hoje, é fator-chave para a construção da competitividade do estado e de suas empresas.

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