Author name: helder

Desafios de 1996

    Considerando 1995 como o Ano 1 de um esforço consequente de estabilização da economia (com uma agenda que já foi apropriadamente chamada de “ciclĂłpica”), Ă© possĂ­vel, apĂłs o balanço do ano, relacionar alguns desafios importantes a serem enfrentados pelas empresas em 1996.       A TGI, neste inĂ­cio de ano, solidariza-se com seus clientes e amigos no enfrentamento desses e dos outros desafios que virĂŁo, ao mesmo tempo em que deseja sucesso e bons negĂłcios em 1996.

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Balanço de 1995

    1995 não foi um ano fácil nem para o país, nem para as empresas. Para algumas, inclusive, foi um ano de grandes dificuldades. Entretanto, se se considera 95 como o ano 1 de um processo duradouro de estabilização, um balanço mais atento do desempenho do país evidencia alguns avanços importantes, ao mesmo tempo em que não pode deixar de ressaltar as dificuldades que persistem e precisam ser superadas.          A observação dos avanços e dificuldades enfrentados em 95 ressalta o tamanho dos desafios que o país tem pela frente. Para as empresas, diante deste quadro, os desafios não são menores. Preparar-se para sobreviver e crescer com austeridade de custos e adequação dos produtos a clientes cada vez mais exigentes e assediados pelos concorrentes é, sem dúvida, o maior deles.

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Recife: a cidade como negĂłcio

    A globalização da economia, a reestruturação produtiva e o desenvolvimento tecnolĂłgico, especialmente das comunicações e dos transportes, tĂŞm produzido mudanças importantes nas cidades.     É cada vez mais forte a convicção de que, neste novo contexto, as cidades e nĂŁo as regiões, terĂŁo papel importante como protagonistas do desenvolvimento econĂ´mico. NĂŁo há dĂşvidas de que as que estiverem melhor situadas, geográfica e culturalmente, sairĂŁo na frente.     Alguns requisitos aparecem como fundamentais quando se pretende fortalecer uma determinada cidade como para o futuro:     De acordo com esta concepção, Ă© preciso tratar estrategicamente o espaço urbano de modo a transformar a prĂłpria cidade, ela mesma, num bom negĂłcio. Barcelona compreendeu isso muito bem e executou um dos mais bem sucedidos planos de marketing urbano de que se tem notĂ­cia. No Brasil, Curitiba Ă© o mais acabado exemplo de como vender bem o “negĂłcio cidade”.     Recife nĂŁo deve perder tempo, nessa nova ordem urbana sob o risco de perder tambĂ©m competitividade. A cidade tem vantagens comparativas que lhe permitem resgatar sua vocação de importante Centro de ComĂ©rcio e Serviços.     O Recife tem recursos urbanos naturais e construĂ­dos (muito mais do que Curitiba, Belo Horizonte ou Fortaleza, por exemplo), alĂ©m de competĂŞncia humana de sobra, para moldar satisfatoriamente o seu projeto prĂłprio de cidade e fazer disso um excelente negĂłcio.     AlĂ©m do Recife, Pernambuco ainda conta com outro centro dinâmico de inserção regional e internacional que Ă© Petrolina e sua área de influĂŞncia. Mas, isso já Ă© assunto para outro Conjuntura & TendĂŞncias… Š

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Quando todos podem ganhar

    A participação dos empregados nos resultados da empresa constitui-se, hoje, um ingrediente essencial na busca pela qualidade e pela produtividade (C&T Nº 46).     No Brasil, ainda é restrito o número de empresas que adotam sistemas de participação variável para empregados em todos os níveis, embora seja uma prática disseminada nos níveis gerenciais e de vendas, como mostra o quadro, baseado em pesquisa da Júlio Lobos e Associados, em 300 médias e grandes empresas brasileiras, em julho deste ano.     Lentamente, começa a aumentar o número dos empresários que já perceberam ser muitos os ganhos decorrentes e que buscam, inclusive, reforçar o principal: a motivação do pessoal para o engajamento nos esforços pela excelência dos produtos e serviços, com o conseqüente aumento da competitividade.     Além disso, a Medida Provisória 794, de 29.12.94, e suas reedições, assegura a não caracterização da participação nos resultados como base de cálculo para encargos sociais, desde que a distribuição seja feita semestralmente e baseada em acordo assinado pela empresa e pelos empregados.     Com essas e outras vantagens, resta às empresas adotarem alguns cuidados essenciais na implantação da participação:          Bem estruturado e utilizado adequadamente, um sistema de participação nos resultados é o caminho mais curto para o avanço da qualidade na empresa e um passo fundamental para a transformação dos empregados em empreendedores, o que já é, hoje em dia, fator crítico de competitividade e sobrevivência empresarial. Š

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O tripé da qualidade

    Nos Ăşltimos cinco anos, foi iniciado e está em curso no paĂ­s um verdadeiro bombardeio de conceitos, informações, opiniões, ameaças e alertas sobre Qualidade e sua importância para a sobrevivĂŞncia dos produtos e das empresas no exigente ambiente competitivo contemporâneo.     Do ponto de vista das receitas de como introduzir a preocupação com a qualidade no dia-a-dia da empresa, a primeira ĂŞnfase dada (o primeiro ponto de apoio), foi a da Melhoria dos Processos de trabalho para produzir produtos e serviços compatĂ­veis com os requisitos dos clientes.     Logo ficou evidente que essa melhoria necessária nĂŁo poderia ser tocada Ă  revelia e, atĂ©, em confronto com a estrutura gerencial da empresa, como pregavam as orientações iniciais, impregnadas pela observação mal feita da experiĂŞncia japonesa. Com isto, o Reforço do Gerenciamento, como indutor e controlador do aperfeiçoamento da qualidade, passa a ser o segundo ponto de apoio da estrutura conceitual da qualidade.     Entretanto, faltava, para a estabilidade mĂ­nima, o terceiro ponto de apoio para o qual o Governo Federal bateu uma estaca fundamental com a edição da Medida ProvisĂłria 794, em dezembro/94, que trata da participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas.      Pode-se dizer que, embora esses possam ser considerados os trĂŞs pontos de apoio principais (as pernas de sustentação) da estrutura, o “pivĂ´” central, a âncora fundamental, deve ser a Dignificação do Trabalho, referĂŞncia identificatĂłria essencial. Afinal, nĂŁo Ă© possĂ­vel imaginar que alguĂ©m se disponha a efetivamente aperfeiçoar a qualidade do seu trabalho se nĂŁo o considera algo digno de ser feito.     A participação nos resultados Ă©, ao mesmo tempo, a terceira perna que permite o equilĂ­brio indispensável Ă  estrutura conceitual da qualidade e a porta por onde negociar mais rápido o efetivo envolvimento dos empregados, sem o qual qualquer programa de qualidade nĂŁo passa apenas de discurso e perda de tempo precioso.

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    NĂŁo há possibilidade de vida, produção ou atividade profissional sem conflito!     Conflito entre os interesses dos indivĂ­duos e grupos e a estratĂ©gia da empresa. Entre a produção e a comercialização. Entre modos diferentes de fazer a mesma tarefa. Entre componentes tĂ©cnicos e polĂ­ticos de uma decisĂŁo. Entre os desejos e a realidade… enfim, uma infinidade de possibilidades.     O conflito Ă© inerente Ă  condição humana e influencia a vida organizacional e a dinâmica das equipes, interferindo nas relações e na produtividade.     Qualquer que seja o nĂ­vel e a complexidade do conflito, Ă© do gerente a responsabilidade principal pelo seu enfrentamento e resolução.     Negar, nĂŁo enfrentar os conflitos ou nĂŁo falar sobre eles, pode dar a impressĂŁo de resolução. Entretanto, as diferenças nĂŁo tratadas aparecem depois, no discurso explĂ­cito ou, o que Ă© mais freqĂĽente, de modo indireto, sob a forma de boicote. E, aĂ­, coisas aparentemente absurdas ou inexplicáveis começam a acontecer: os prazos nĂŁo sĂŁo cumpridos, as pessoas entendem diferente o que deve ser feito, cometem falhas em coisas que já dominavam, adoecem, se atrasam, os equipamentos quebram… as coisas nĂŁo andam e a competitividade fica comprometida.     Hoje em dia, com o aumento acelerado da competição empresarial nĂŁo dá mais para ficar perdendo muito tempo, remoendo ressentimentos em silĂŞncio e reforçando emperramentos improdutivos. O concorrente vai terminar sendo mais rápido…     Enfrentar os conflitos e percebĂŞ-los como momentos de dificuldade que antecedem as transformações qualitativas Ă© utilizá-los como elementos potencializadores do desenvolvimento.     Para enfrentar os conflitos, os gerentes podem usar diversos instrumentos, conforme o prĂłprio estilo e criatividade mas Ă© de extrema importância procurar falar sobre eles para começar a tratá-los.     Superar a prática de “nĂŁo falar para nĂŁo piorar” Ă© ultrapassar a falsa suposição de que falar faz aumentar o conflito.     A prática tem demonstrado que falar sobre as dificuldades pode aumentar momentaneamente o desconforto mas, de forma nenhuma, aumenta o conflito. Pelo contrário, Ă© a Ăşnica forma de começar a solucioná-lo.     Falar para resolver, falar para construir novos acordos, inclusive porque a palavra em si já tem poder de construção e resolução.     Há uma diferença produtiva importante entre, por exemplo, curtir uma dificuldade em silĂŞncio e aproveitar a oportunidade como inspiração para compor um samba. Os artistas sabem disso…     Na vida empresarial como na arte, problema Ă© tambĂ©m oportunidade de produzir o novo.

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O valor do serviço ao cliente

    Cada vez mais, o conceito de produto vai ganhando novas e sofisticadas conotações: deixa de ser apenas a peça ou matéria que é vendida e incorpora os serviços que lhe estão associados.     Em muitos casos, o serviço que é vendido junto com o produto propriamente dito é tão ou mais importante do que ele mesmo.     Um exemplo bastante ilustra da empresa de auditoria de Boucinhas & Campos, Ruy Cortez, no Jornal do Brasil (Informe Econômico) de 22.10.95.     Em 15 anos, a participação do pós-venda (contratos de manutenção, assistência, venda de peças e equipamentos) no lucro das concessionárias subiu de 2 para 70%.     Trata-se de uma mudança radical que ilustra um fenômeno universal: com o acirramento da concorrência e o acesso mais fácil à tecnologia, a qualidade intrínseca dos produtos vai-se uniformizando e as suas margens de comercialização vão-se reduzindo gradativamente.     Deste modo, com produtos tendentes à equiparação e margens em queda, o diferencial competitivo transfere-se para o atendimento e para os serviços ao cliente, incorporados ao produto.     Portanto, na disputa pela preferência dos clientes, vão estar na frente as empresas que conseguirem, não só a qualidade máxima no produto mas, também e, principalmente, atendimento diferenciado e serviços atraentes.     No que diz respeito aos veículos, por exemplo, segundo Ruy Cortez, as perspectivas são de radicalização dessa situação: daqui a cinco anos, a compra de carros (pelo menos nos EUA) praticamente não existirá mais. Os vendedores passarão a oferecer soluções de transporte, adequadas às necessidades das empresas e das pessoas.     Esta parece ser uma tendência de peso para a maioria dos produtos, pelo menos na forma em que se apresenta hoje: na composição das margens, eles perdem importância relativa face aos serviços que agregam valor para o cliente.

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Empregados Empreendedores

              Essas sĂŁo velhas convicções que foram, durante muito tempo, tratadas como fatalidades, ou seja, era assim mesmo e nĂŁo havia o que fazer. Administrar pessoal, neste contexto, nĂŁo passava de uma luta sem fim, entre partes inconciliáveis.     Hoje em dia, entretanto, há cada vez mais empregados que, embora nĂŁo eliminando os salários de suas preocupações, desejam outras coisas alĂ©m disso, como, por exemplo, estĂ­mulo ao seu desempenho, reconhecimento dos seus esforços e valorização das suas competĂŞncias.     Podem, inclusive, em programas diversos de qualidade e de produtividade, agir como “parceiros” dos empresários, trabalhando pelo crescimento e pela consolidação da empresa e ajudando a construir um futuro no qual se sintam incluĂ­dos.     E há, cada vez mais, empresários que consideram os empregados nĂŁo apenas como a “força de trabalho”, nem, tĂŁo somente, como a parte “humana” dos seus recursos, junto com os recursos financeiros e a tecnologia. Consideram, antes, como a força mais importante do “capital” produtivo da empresa, traduzido por conhecimento, competĂŞncia e compromisso com a ação e com os resultados.     Muitos empresários já sabem que os empregados podem ser “sĂłcios-empreendedores”, tĂŁo essenciais quanto os sĂłcios no capital e, por isso, cada vez mais, admitem e começam a praticar a participação nos resultados da empresa, sem ser por obediĂŞncia formal a decisões governamentais.     É certo que isto nĂŁo acontece com todos, nem , ainda com a maioria. Em alguns casos, o “avanço” na ação empresarial Ă© começar a ter a convicção de que a qualidade final dos resultados da empresa depende do quanto os empregados sintam e percebam que tĂŞm, dos empresários e dirigentes, o reconhecimento da dignidade e do valor do trabalho. Isto com expressĂŁo concreta nos salários e em formas diversas de remunerações variáveis e de incentivo financeiro Ă  produtividade.     No fim das contas, nĂŁo há como nĂŁo reconhecer esta “nova” visĂŁo como uma tendĂŞncia irreversĂ­vel na gestĂŁo empresarial, numa perspectiva estratĂ©gica e na direção da qualidade, da produtividade e da competitividade.     Afinal, Ă© com gente que se fazem empresas produtivas e competitivas. É com gente que se produz qualidade. É com gente que se faz, inclusive, redução de custos. É com empregados empreendedores que se criam vantagens competitivas poderosas. Š

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Educação para a competitividade

Muito já se tem falado do Custo Brasil na competitividade das empresas nacionais, face Ă  concorrĂŞncia dos produtos importados e Ă  inserção do paĂ­s no novo quadro de globalização econĂ´mica. A Confederação Nacional da IndĂşstria – CNI, promoveu um exaustivo estudo sobre o tema que vem sendo debatido, desde maio Ăşltimo, em diversos fĂłruns. SĂŁo inĂşmeros os fatores apontados como causas do encarecimento e perda de competitividade dos produtos nacionais. Conjuntura & TendĂŞncias vai voltar a tratar deste tema nos prĂłximos nĂşmeros, procurando deter-se em alguns desses fatores apontados. Entretanto, chama a atenção, logo de partida, uma evidĂŞncia chocante: os gastos pĂşblicos com educação no Brasil, comparados com os de outros paĂ­ses. A educação está na base de qualquer processo de desenvolvimento, seja nacional, seja empresarial. NĂŁo há mais nenhuma dĂşvida sobre isto no mundo contemporâneo. Se, por um lado, esta prioridade tem que ser veementemente cobrada do poder pĂşblico, por outro, Ă© fundamental que as empresas estejam alertas para o que precisa ser feito em seus casos particulares. A Freios Varga (2 mil empregados no Brasil, 300 na Argentina, US$ 300 milhões de faturamento em 1994, lĂ­der no segmento), investe US$ 260 per capita em educação dos seus empregados, desde cursos supletivos a subsĂ­dios para quem entra na faculdade. Dá 140 horas/ano de treinamento por empregado. Para Celso Varga, presidente do Conselho de Administração, a receita do sucesso empresarial Ă© combinar educação com pensamento estratĂ©gico.

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O cuidado com quem fica

    As margens diminuíram, a competição aumentou e a briga pela sobrevivência está cada dia mais acirrada no mundo dos negócios. Tudo indica que este é um caminho sem volta.     Cada vez mais as empresas estão tendo que fazer ajustes sérios nos seus processos, enxugar drasticamente custos e, não raro, se vêem obrigadas a trabalhar com menos gente do que antes.     Todo este esforço pela competitividade, se não for adequadamente tratado, pode produzir efeito inverso ao pretendido: as pessoas, ao invés de se motivarem, ficam paralisadas pelo pânico do desemprego ou pelo ressentimento em face da impotência diante das decisões da empresa.     Para minimizar a possibilidade de instalar-se um clima desfavorável ao engajamento de todos para o avanço da empresa, é necessário que o empresário, responsável último pelo processo de mudança, tome alguns cuidados.     É perfeitamente possível fazer tudo o que precisa ser feito sem instalar um clima de terror.     Afinal, é bom ter em mente, que qualquer processo de adequação empresarial, baseado em redução de custos e/ou de quadros, mesmo quando bem sucedido, adequa a empresa ao mercado passado, nunca cria, por si só, mercado novo.     Conquistar novos mercados é tarefa para a empresa mobilizada para o futuro, com pessoas motivadas por desafios e não paralisadas pelo medo.

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